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Eric Woolfson / Alan Parsons – “Freudiana”

Pop Rock

20 FEVEREIRO 1991

ERIC WOOLFSON/ALAN PARSONS
Freudiana

LP duplo e CD, Emi – Valentim de Carvalho

freud

Sexo! Bem mais apelativo que “sexualidade”. Diz-me com que(m) sonhas dir-te-ei quem és. Grandes traumas. Complexos maiores que o das Amoreiras. Libidos desenfreadas. Oh mãe! Oh pai! Desejos inconfessáveis sublimados e deitados no divã. Atraída a atenção do leitor, podemos agora assegurar, cheios de júbilo: até que enfim, um disco sério, obra científica, didáctica, de grande fôlego e insuperável intensidade psicológica.
Sigmund Freud, nome importante, sem dúvida (embora nenhum dos seus discos tem há atingido os tops, os livros sim), mas não tanto como Eric Woolfson e Alan Parsons, juntos e felizes no massacre sistemático perpetrado sobre a figura do mestre.
Calho a vez ao velho Segismundo, mas ninguém, vivo ou morto, está livre de se tornar a próxima vítima. Em “Freudiana” (termo que designa a colecção de artefactos recolhidos por Freud ao longo dos anos ou, mais genericamente, a globalidade dos seus trabalhos e personalidade), cada faixa refere-se a um aspecto particular da vida e obra do autor dos “Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade” e “A Interpretação dos Sonhos”: o princípio do prazer (que infelizmente neste disco não funciona), alguns casos patológicos arquetípicos (“Little Hans”, Dora, o homem-rato, o homem-lobo, o juiz, etc.), o amigo hipnotizador, as terríveis lutas entre o herói superego e o vilão Id, são alguns dos pretextos para o desfilar contínuo dos lugares-comuns mais insuportáveis do tristemente célebre rock sinfónico.
Imagine-se uma versão caquética e envernizada de “The Wall” (a qual dos discos pertencem os imortais versos: “And now you’re alone my friend/and you must face the world outside”?) para se ter uma ideia aproximada do objecto em questão. Os vocalistas foram escolhidos a dedo de entre a fina-flor da mediocridade (Leo Sayer, Kiki Dee, John Miles…), os instrumentistas (Laurie Cottle – baixo, Stuart Elliot – bateria e percussão, Ian Bairnson – guitarras, o nosso amigo Eric – teclados, Richard Cottle – sintetizadores e saxofones e o nosso outro velho amigo Alana – teclados adicionais) cumprem o que lhes foi exigido por contrato com o entusiasmo e empenhamento de um empregado de escritório a fazer horas extraordinárias num sábado à noite.
Incluem-se mesmo três temas instrumentais, “The Nirvana Principle”, “Beyond the Pleasure Principle” e “Freudiana” que infelizmente não se parecem nada com os famosos quatro minutos e picos de silêncio de John Cage.
Mas do mal o menos: só a música e as letras é que não prestam. De resto, pelo cuidado posto na apresentação, vê-se que se trata de um produto de luxo. Oh mãe! *

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