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A Fúria do Açucar – Maravilhoso Mundo do Acrílico

04.07.1997
A Fúria do Açucar
Maravilhoso Mundo do Acrílico (6)
Polydor, ed. e distri. Polygram

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Sem a ordinarice inteligente dos Ena Pá 2000, a profundidade da sátira dos Despe e Siga e a poesia dos Afonsinhos do Condado, a mensagem da Fúria consegue, à sua maneira, fazer cócegas.
Há temas irresistivelmente dançantes: “beber, beber, beber, …”, um hino à coparia, à Pogues, introduzido pela gaita-de-foles inspirada de Ricardo Dias e com arrotos e vómitos em profusão, “Canção do prícipe encantado”, etnotecno das arábias, e “masturdança”, do melhor tecno-pimbe para consumo das criaturas da noite. Não menos deliciosas são as versões de “Ring My Bell”, aqui “Joana bate-me à porta”, e “Short Dick Man”, reintitulado “Long Dick Men”, em entoações de operário da construção civil. As letras tendem para o “softcore” incosequente em “Loja do mestre André” (a criançada vai adorar entoar esta nova versão, com vibradores e “mulheres de encher”, de uma das suas cançonetas favoritas) e “Blues on the road to Porto”, história de putedo com a participação especial de Sting, no papel de chulo. “Arrota palhaço”, em louvor do eterno azarado (“Se os bancos no bar estão ocupados / Vazios só resta um, o meu já tem guardada / a pastilha que vai ficar colada ao meu cu”), é pura poesia existencial. Já em fim de farra, a Fúria toca na amargura, em “A invasão dos vulgarianos”, perturbante metáfora electrovirtual sobre a paranóia urbana. No resto, “Maravilhoso Mundo do Acrílico” consegue ser tonto de uma forma simpática. Afinal, como eles dizem, “Que sentido é que isto faz? / Nascer, cair uma pedra e morrer…”