David Behrman – “Leapday Night”

Pop Rock >> Quarta-Feira, 20.05.1992


David Behrman
Leapday Night
CD, Lovely Music, ltd., import. Contraverso


A música de computadores pode ter coração. E, neste caso, ouvidos “Leapday Night” e “Interspecies Smalltalk” (encomenda de John Cage e Merce Cunningham para a peça de bailado “Pictures”), duas das três composições que preenchem o álbum, baseiam-se na interacção, determinada por programação prévia, entre computador e músicos, contendo o primeiro sensores auditivos, “ouvidos”, que detectam, reproduzem e alteram a altura dos instrumentos tocados em tempo real, no primeiro caso os trompetes de Bem Neill (autor do fabuloso “Mainspring” para electrónica e trompete traficado) e Rhys catham, no segundo o violino de Takehisa Kosugi. Num e noutro caso o produto sonoro evolui ao longo de “drones” electrónicas, com imperceptíveis flutuações na altura e no timbre, num jogo de espelhos de infinitas mutações que se inscreve ao lado de “Poppy nogood and the phantom band”, do álbum “Rainbow in Curved Air”, de Terry Riley.
“A Traveller’s dream jornal” resulta das manipulações de estúdio de Behrman com Walter Bechauer, auxiliados por Clara Mondshine (“Memory Metropolis” e “Visions of Audio”, este disponível em Portugal), que cria uma miríade de efeitos electrónicos percussivos, algures entre “The Return of the Comet” de Morton Subotnick e o calor de uma “world music” virtual. O que distingue Behrman de muitos dos seus amigos vanguardistas é a sensualidade dos timbres, a sua textura aquática (Redolfi também não anda longe), a arte de manipular e combinar diferentes fontes sonoras. E, acima de tudo, o prazer que resulta da audição. (9)

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