Trans AM – Futureworld

02.04.1999
Regresso Ao Futuro
Trans AM
Futureworld (8)
Thrill Jockey, distri. MVM


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É fácil fazer a associação entre os títulos de “Futureworld” e “Computer World2, dos Kraftwerk, até porque são conhecidas as preferências dos Trans AM pela obra dos germânicos, visível na faceta mais electrónica do álbum anterior do grupo de Chicago, “The Surveillance”. As semelhanças esgotam-se, todavia, nos títulos. “Futureworld” é, como, de resto, parte de “The Surveillance” já fazia prever, uma bomba sónica de efeitos devastadores.
Ao contrário do álbum anterior, onde os temas mais violentos e baseados no trabalho das guitarras alternavam com sequências de pop electrónica minimal, “à la” Kraftwerk, em “Futureworld” existe um primeiro bloco em estado de guerra, ficando a segunda parte reservada para a electrónica, aqui muito menos linear e mais voltada para a experimentação do que em “The Surveillance”.
Uma vez mais os Trans AM partem de premissas niilistas para a construção da sua música. Depois da vigilância e da manipulação exercidas pelo poder sobre o cidadão à escala planetária, a automatização (exterior e psicológica) e a desolação das cidades contemporâneas são as temáticas abordadas. Em tons de verde cibernético, sobre gráficos de vazio que apontam para um horizonte virtual, os Trans AM fazem chiar as guitarras, numa simulação de hard rock para o próximo milénio que faz soltar, de forma nada artificial, o medo e a adrenalina.
Ao nível de influências, os Trans AM transitaram do “Krautrock” dos anos 70 para a “coldwave” e para a pop futurista dos anos 80, com vozes filtradas por Vocoder e um romantismo electrónico que em “Television Eyes” bebe declaradamente nos Tubeway Army, de Gary Numan. “Futureworld” sintoniza na mesma frequência de “Radioland”, do álbum “Radio Activity”, dos Kraftwerk como a métrica dos Neu!; e “City in Flames” arranca das mãos de Henry Rollins e de Jim Foetus uma metralhadora de estilhaçoes, num excesso de agressividade. O tema mais brutal de sempre dos Trans AM. “AM Rhein” e “Cocaine computer” carregam na tecla industrial, com este último tema a usar o tipo de batida a óleos pesados dos Chrome, antes de reunir os cacos num funk saturado de ironia. A partir deste ponto os Trans AM espremem os sintetizadores, voltando aos Tubeway Army e aos Human League, em “Runners standing still”, experimentando com ruído rosa em “Futureworld II”, criando uma suculenta tapeçaria de electrónica analógica em “Positron”, antes de uma despedida formal do pós-rock, no tema final “Sad and Young”. É, cada vez mais, um prazer, entrar no mundo de pesadelos dos Trans AM. Mesmo que estes se possam transformar na realidade que nos espera.

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