Isan – Beautronics

26.03.1999
Isan
Beautronics (8)
Tugboat, distri. MVM


isan

Robin Saville e Anthony Ryan formam a dupla Isan, um novo projecto de música electrónica cujo álbum de estreia é, a vários títulos, notável e de audição obrigatória para os amantes do género. John Peel, o eterno radialista divulgador das novas sonoridades, referiu-se à música do grupo como evocativa dos “obscuros programas de televisão educativos que as crianças eram obrigadas a ver nos dias doentios de escola”. há, de facto, algo de infantil, simultaneamente colorido, sombrio e hipnótico, em “Beautronics”. As influências são óbvias: ainda e sempre os Cluster (menos de “Zuckerzeit” e mais da fase atmosférica encetada com “Sowiesoso”), os Pyrolator, Brian Eno (de “Another Green World”) e, ocasionalmente, a “cold wave” dos Human League, de “Dignity of Labour”. Minimalista, ambiental, incisiva e sempre imaginativa no modo como interliga os sintetizadores analógicos, a música dos Isan chega a tomar a forma de uma “kosmischemusik” em miniatura, como se o grupo transportasse o seu arsenal de brinquedos para o interior da nave que os Tangerine Dream construíram em “Phaedra” e “Rubycon”. Cada um dos 16 temas de “Beautronics” é uma pequena surpresa. Por vezes uma voz filtrada por um “vocoder” faz surgir um rosto humanóide que, de imediato, desaparece por entre uma série de curtos apontamentos designados por “Tint”, com subtítulos que, uma vez mais, não fogem à sombra dos Cluster: “Rosy Aplles”, “Cleary Caramel”, “C’est le tempo”, “Cheeky Cherry” ou “Skeek”, que inclui o “recital de uma orgia de robôs”. Um jogo de lego para montar.

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