The Chieftains – Tears Of Stone

12.03.1999
Lárgrimas De Crocodilo
The Chieftains
Tears Of Stone (6)
RCA, distri. BMG

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Está a ser um dos discos mais vendidos de sempre dos Chieftains. Boa sorte a deles. Mas para todos aqueles que se habituaram a ter na lendária banda irlandesa a companhia de longa data de muitos e belos sonhos emanados do espírito da Ilha, as notícias não são animadoras. Ao fim de 35 anos de carreira, a banda de veteranos liderada por Paddy Moloney entornou o caldo, espalhou-se, algo que toda a estratégia recente fazia recear, mas que ainda não se concretizara numa verdadeira desilusão. Expliquemo-nos.
Os Chieftains, de há alguns anos a esta parte, estão cansados. De tocar e retorcar música tradicional irlandesa. É natural. E humano. Daí que, a partir de certa altura, tendo ascendido, entretanto, a estrelas da world music, gaveta celta, encetassem uma série de gravações onde a pedra-de-toque era a participação maciça de convidados, muitos deles alheios ao universo folk. Isto, depois de uma fase anterior caracterizada por fusões ou homenagens a universos tradicionais paralelos ao irlandês, como a Bretanha, a Galiza ou a country music, em álbuns como “Celtic Wedding”, “Celebration” e “Another Country”.
Mas era preciso inventar e recriar novos contextos que servissem de estímulo ou, simplesmente, para entreter o tédio. Em “Tears of Stone” arranjou-se o conceito de baladas de amor no feminino. Excelente pretexto paera se convidafem, aponte, Bonnie Raitt, Natalie Merchant, Joni Mitchell, The Rankins, The Corrs, Sinéad O’Connor, Mary Chapin Carpenter, Loreena McKennitt, Jean Osborne e até a cantora de jazz Diana Krall, no tema final, “Danny boy”. Mais a cantora japonesa Akiko Yano, os Anúna e um lote de luminárias “folkie” que inclui Eileen Ivers, Arty McGlynn, mairtin O’Connor, Natalie Mcmaster e Máire Breatnach. Tudo espremido, obtém-se uma produção com o sabor, já tão conhecido, das Enyas, Oldfields e compilações “celtic blá blá blá” que se apertam nas prateleiras das discotecas.
Com tão pouco espaço de manobra os Chieftains deixaram-se ficar, sorridentes, como meros acompanhantes de tanta beleza e voz bonita. É que, ainda por cima, não são muitas as canções com sangue e tripa, até porque o mercado está mais voltado para os perfumes e limpezas de pele. Salvam-se uma vivaz parceria com as Corrs, em “I know my love”, o “Kerry slide” instrumental que serve de conclusão a “Deserted Soldier”, o exotismo da vocalização japonesa em “Sake in the jar”, a fazer recordar a viagem dos Chieftains à China, e, finalmente, o momento mais estimulante do disco, um diálogo violinístico, a três, entre Eileen Ivers, Natalie Mcmaster e Annbjorg Lien, em “The fiddling ladies”.
“Tears of Stone” é uma ideia gira, as vozes são catitas, há harpas espalhadas por todo o lado, visões de verde, regatos murmurantes e cartas de amor escritas à luz de vela nas orlas do mistério irlandês. Sentimo-nos aconchegados, é um facto. Então por que raio é que sentimos vontade de borrar a pintura?

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