Hedningarna – Karelia Visa

05.03.1999
World
As Raparigas Finlandesas Estão De Volta
Hedningarna
Karelia Visa (9)
Silence, distri. MC – Mundo da Canção

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pwd: evrenselmuzik

O aparecimento de um novo álbum dos suecos Hedningarna já não provoca a mesma onde de admiração e estupefacção que se levantou quando “Kaksi!” irrompeu no mercado de world music em 1992. Nessa altura “Kaksi!” rebentou como uma bomba, carregada com uma mistura explosiva de sons tradicionais e electricidade que rivalizava em volume e energia com qualquer banda de “heavy metal”. Foi ainda este álbum que deu origem ao consequente “boom” de novas bandas escandinavas no resto da Europa. Mas se o choque causado por “Kaksi!” se disspou, não esmoreceu a expectativa de acompanhar cada passo da evolução de uma das bandas mais excitantes da cena folk actual.
Depois de “Kaksi!”, os Hedningarna avançaram no sentido da electrificação, passando pelo paiol de dinamite de “tra” (1994) antes de entrarem decididamente (e, para alguns, perigosamente) nos territórios da música de dança, em “Hippjokk” (1997), segundo um trajecto que culminaria, nesse mesmo ano, com o álbum de remisturas, “Remix Project”. A partir daí ofereciam-se ao grupo duas vias: ou deixavam, em definitivo, de poder ser considerados uma banda folk (o que, por si só, não constitui nenhum defeito) ou encetavam nova mudança de rumo. A escolha recaiu sobre a segunda destas hipóteses. “Karelia Visa” é um retorno à vertente mais tradicional que caracterizava o álbum de estreia do grupo, “Hedningarna”, de 1989. Primeira verificação importante e que a própria promoção faz questão de frisar quando anuncia que “the finnish girls are back at the microphones!” é o regresso das duas cantoras finlandesas, Sanna Kurki-Suonio e Anita Lehtola, que haviam abandonado o grupo deppois de “Tra”, amputando “Hippjokk” de um dos seus órgãos vitais.
Em “Karelia Visa”, resultante da estadia dos Hedningarna, na Primavera e no Verão passados, em Carélia, região fronteiriça entre a Rússia e a Finlândia, as duas recuperam o anterior protagonismo, assinando vocalizações empolgantes e, nalguns casos, como em “Neidon Laulu”, verdadeiramente mágicas. “Karelia Visa” ignora deste modo a vontade de todos aqueles que desejariam continuar a deliciar-se com a anterior postura “headbanger” do grupo, para obedecerem a uma motivação mais profunda e que os próprios músicos enunciam: “Durante anos estudámos e deparámo-nos com a tradição das canções rúnicas (‘runosongs’) de Carélia, através da audição de velhas gravações em cilindro de cera ou da leitura de livros, usando este conhecimento para uma interpretação livre e nos nossos próprios termos das mesma. Desta vez quisemos ir mais além, em direcção ao núcleo e à fonte da tradição. Regressámos cheios de imagens [algumas delas reproduzidas no livrete do disco] e de sensações sobre a vida em geral e da Carélia em particular.” Depurados da febre que os consumia, os Hedningarna voltaram, paradoxalmente, a surpreender, ficando a “continuação” de “Hippjokk!” guardada para a futura gravação de um disco de Björn Tollin e Hallbus Totte Mattson com o grupo de música de dança Virvla. Com “Kareli Visa”, os Hedningarna recuperaram o mistério das primitivas florestas pagãs e uma aura da imprevisibilidade.

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