Martin Rev – Strangeworld

05.05.2000
Martin Rev
Strangeworld (7/10)
Sahkö, distri. Ananana

martinrev_strangeworld

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Martin Rev e Alan Vega nasceram para cometer suicídio juntos. Mas depois do grupo que fez história no final dos anos 70 – ao derramar uma onda de genuíno sangue sobre a dislexia punk – os Suicide, se extinguir, vítima das suas próprias convulsões, desorientaram-se, procurando cada um para seu lado o martírio perdido. Veja socorreu-se da sua veia rockabilly, cultivando, mais do que a música, uma pose que passava por mimar um Elvis saído do túmulo. Recentemente encontrou o elo perdido, oferecido de bandeja pelos Pan Sonic, com quem gravou o notável “Endless”, legítimo herdeiro da estética Suicide. Martin Rev não teve a mesma sorte. Depois de um álbum de estreia promissor que soava aos Suicide sem voz, enterrou-se num rock electrónico que aos poucos perdeu actualidade e acutilância. Regressa com “Strangeworld” onde tenta fazer sozinho o que antes era feito a meias com Alan Vega, ou seja, à sua inconfundível artilharia de sintetizadores metalo-electro-repetitivos, juntou agora as suas próprias vocalizações decalcadas das do seu antigo companheiro. No mesmo tom declamado, com as palavras penduradas na mesma reverberação, repetindo a onda da “América-à-beira-do-caos-mas-romântica-até-ao-fim”. “Strangeworld é assim uma réplica dos Suicide onde não faltam variações do mítico “Cheree” nem cowboy songs cibernéticas em referências sucessivas ao passado que, curiosamente, acabam por ser atraentes, enquanto exercícios kitsch retrofuturista de onde se destacam temas como “Splinters” (Jean-Michel Jarre numa “bad trip” pelos trópicos) ou “Chalky”, este último na linha de “Cubist Blue”, de Veja, com Alex Chilton e Bem Vaughan. Um caso típico do criminoso que volta ao local do crime.

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