Isotope 217 – “The Unstable Molecule”

Sons

30 de Janeiro 1998
DISCOS – POP ROCK


Isotope 217
The Unstable Molecule (8)
Thrill Jockey, import. Ananana


iso

Pós-rock ou pós-jazz? A música dos Isotope dispara com pontaria certeira contra diversos alvos. O fraseado “cool” do trompete e do trombone enviam “The Unstable Molecule” para as memórias de Miles Davis de “The Silent Way” enquanto a preferência por”riffs” concentrados na musculatura do baixo e da bateria remetem para os postulados da actual cena vanguardista de Chicago, ou não fossem três dos elementos do grupo, John Herndon, Jeff Parker e Dan Bitney, antigos membros dos Tortoise. Por outro lado, escutando temas como “La jetée” ou “Prince Namor” é difícil não pensar na escola de jazz-rock inglesa dos anos 70, personificada por grupos como os Soft Machine, Nucleus (propostos no mais recente “blindfold test” da “Wire” aos Tortoise), Soft Heap e … Isotope, em cuja formação pontificava o ex-Soft, Hugh Hopper. Estamos nos antípodas do jazz, na mesma híbrido mas maculado por outro tipo de tintas, da “downtown” nova-iorquina, de gente como John Zorn ou os Lounge Lizards, embora um certo apelo pop cultivado por Wayne Horvitz (de “This New Generation”) entronque em alguns dos quadros sonoros aqui propostos. “The Unstable Molecule” prefere a poesia, a distensão do tempo e a difusão do mistério às quadraturas geométricas do pós-rock. A sua organicidade é a do “jazz” que reconheceu a impossibilidade da pureza e decidiu dispor de todo o tempo do mundo para inventar um novo território onde a improvisação cedeu o lugar à ambientalização. “Jazz ambiental” é, pois, uma designação apropriada para esta música aquática que desfaz muitos dos lugares-comuns conotados com o pós-rock.



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