Festival “Cantigas do Maio” arranca dia 22 – “Seixalíadas DA MÚSICA DO MUNDO” – Artigo de Opinião / Antevisão / Concertos

Pop Rock

30 Abril 1997

Festival “Cantigas do Maio” arranca dia 22

Seixalíadas
DA MÚSICA DO MUNDO


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Arrumado entre o Intercéltico do Porto (Abril) e os Encontros Musicais da Tradição Europeia (Julho), as “Cantigas do Maio” do Seixal tornaram-se num dos mais importantes festivais anuais de música folk (ou “world”, se preferirem) que se realizam em Portugal. O programa da sua oitava edição – a decorrer em dois fins-de-semana, entre 22 e 31 de Maio – é o melhor de sempre. Se não, anotem: Conjunto de Cavaquinhos Henrique Lima Ribeiro (Portugal), Realejo (Portugal), Luis Pastor (Espanha), Vieja Trova Santiaguera (Cuba), Os Cempés (Galiza), João Afonso (Portugal), Uxia (Galiza), Bisserov Sisters (Bulgária), Purna das Baul (Índia), Kocani Orkestar (Macedónia), Tellu Virkkala (Finlândia) e Vasmalon (Hungria). Por ordem de entrada em cena.
Mas há ainda outros nomes que vão animar as ruas da partiga do Seixal: O Teatro Dom Roberto, Grupo de Bombos Almacena, Grupo de Cante Alentejano dos Mineiros de Aljustrel e Grupo de Bombos de Lavacolhos. Realejo e João Afonso são os mais ilustres representantes nacionais. O grupo de Coimbra, liderado pelo mestre construtor Fernando Meireles, regressa às “Cantigas”, enquanto prepara o novo álbum, sucessor de “Sanfonia”, de título “Cenários”. João Afonso mostrará ao vivo as influências africanas que marcam a sua estreia discográfica, “Missangas”.
Da Espanha (e Galiza…) chegam três nomes: Uxia, velha conhecida, voz dourada finalmente liberta dos Na Lua, Luis Pastor, com apontamentos do seu “Diário de Bordo”, e a banda de gaitas e “música de taberna”, Os Cempés. Ainda em espanhol, canta a Vieja Trova Santiaguera, um mito de Cuba, cuja média etária dos seus elementos ronda os 70 anos. O “son”, no máximo da sua respeitabilidade.
Forte, também, a presença balcânica. As Bisserov Sisters representam o melhor do canto tradicional búlgaro, como poderá certificar quem já ouviu o disco “Music from the Pirin Mountains” ou as ouviu ao vivo, integradas no coro de Vozes Búlgaras que passou pelos Jerónimos em 1993. Os Vasmalon são um dos principais grupos de recriação da música tradicional da Hungria. Também já estiveram em Portugal, numa edição dos “Encontros”. Música de diversão e transgressão, coroada pela voz magnífica de Éva Molnár. Disponível no nosso país, em disco, apenas em “Vasmalon II”. “Vasmalon III”, do ano passado, está ao mesmo nível e deverá aparecer na banca do festival. Menos familiar deverá soar a música cigana de metais dos Kocani Orkestar, oriundos da Macedónia. O álbum chama-se “A Gypsy Brass Band”. A consultar.
A Índia faz-se representar pela música da região de Bangala dos Purna das Baul (“bauls”, menestréis nómadas), formação da qual já recenseámos o álbum “Bauls of Bengal”. O novo, igualmente excelente, com selo Real World, tem por título “Songs of Love & Ecstasy”. Os amantes de Nusrat Fateh Ali Khan vão gostar. Todos os outros reconhecerão que não são só as “ragas” que fazem ascender a alma indiana.
Por fim, a Escandinávia, com uma formação vocal feminina finalndesa liderada por Tellu Virkkala, uma das duas cantoras que saiu dos Hedningarna, juntamente com Sanna Kurki-Suonio, que também faz parte do novo grupo. A formação completa-se com a notável Lisa Matveinen (ex-Tallari e Niekku), Anita Lehtola e Pia Rask (ex-Me Naiset). O álbum de estreia, “Suden Aika” (“O tempo do lobo”) recupera a tradição dos ancestrais poemas e canções finlandesas, com base no cancioneiro “Kalevala”, elaborado por Elias Lönnrot no século passado. À descoberta do “lobo que existe em toda a mulher” (atenção, Né Ladeiras…).
Razões mais do que suficientes para fazer do Seixal lugar de eleição do mês de Maio.



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