Calamus – “The Splendour of Al-Andalus”

POP ROCK

5 Março 1997
world

Calamus
The Splendour of Al-Andalus
M.A, IMPORT. DISCO 3


cal

Todo o imaginário ligado à música antiga, seja qual for o seu quadrante geográfico, presta-se a operações de embelezamento que mais não visam do que fazê-la chegar a camadas de público que, de outra forma, não lhe prestariam a mínima atenção. É o caso dos Sarband, já por nós recenseado, com ligações “suspeitas” à música electrónica. É o caso, bastante menos radical, destes Calamus, na sua abordagem da música árabe-andaluz dos séculos XII a XV.
Na ficha técnica do grupo, encontramos os nomes de Eduardo e Luis Paniagua qie, de imediato, nos reenviam para outro grupo a que pertenceram e que fez história na música antiga, os Atrium Musicae de Madrid. Luis Delgado, geralmente presente em projectos de música de fusão, é outro dos elementos dos Calamus, cuja formação se completa com as duas cantoras Begoña e Rosa Olavide. Os cinco são multi-instrumentistas, numa parafernália onde, além dos característicos “’ud”, “târ”, “qanun” e “guimbri”, deparamos com designações mais exóticas como “chabbaba”, “doira”, “caraqebs” e “t’abila”. Juntem-se a estes a flauta, o saltério, a cítola, a viola de arco, o órgão portátil e a “darbuka”, e ficamos com uma ideia da riqueza tímbrica que os Calamus têm à sua disposição.
O processo de embelezamento ao qual nos referimos de início, passa, neste caso, pela embalagem luxuosa, segundo uma estética “new age”, e por uma produção sofisticada que aproveita ao máximo as possibilidades oferecidas, tanto pela tecnologia digital de captação de som como pela acústica o local de gravação, o Mosteiro de La Santa Espina, em Valladolid.
É a imersão total num som cheio e envolvente, por onde passam não só as noções mais básicas e enraizadas no inconsciente ocidental, da música árabe, como as subtilezas de registo e de interpretação com as quais os Calamus lidam com absoluta competência e agilidade. As vozes das irmãs Olavide optam pelo registo mais etéreo da música antiga, conferindo a este “The Splendour of Al-Andalus” o tal apelo generalista que poderá conduzir a outro envolvimento e atitude, perante modos mais viscerais de reinvenção deste tipo de reportório. Seja qual for a perspectiva com que se encare a beleza sem arestas de “The Splendour of Al-Andalus”, sai-se da audição com a alma lavada pela luz. (8)



Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.