Varttina – “Kokko”

POP ROCK

15 Janeiro 1997
world

Mulheres de armas

VӒRTTINӒ
Kokko (7)
Elektra Nonesuch, distri. Warner Music


varttina

O crítico da “Folk Roots” não gostou de “Kokko”, despachando o disco com o argumento de que a sua música já não se dirige aos leitores da revista. Tal excomunhão tem, em parte, razão de ser. À semelhança do que aconteceu aos suecos Hedningarna, as Värttinä ascenderam progressivamente de tranquilo grupo nacional, ou mesmo regional, no caso das finlandesas, a atracção internacional. A este alargamento da esfera de influência correspondeu, em ambos os grupos, um realinhamento dos respectivos projectos estéticos originais. Tanto o álbum de estreia dos Hedningarna, como o das Värttinä, “Musta Lindu”, são abordagens convencionais à música tradicional, contendo embora, sobretudo no caso dos suecos, as sementes do que viria a seguir.
Quando “Kaksi!”, dos Hedningarna, e “Oi Dai” e, sobretudo, “Seleniko”, das Värttinä, explodem na cena internacional, orgulhosos da inovação da das suas propostas, isso corresponde a um ponto de equilíbrio que, a partir daí, será difícil de gerir. A entrada num mercado que, a nível de projectos mais comerciais, se pauta cada vez mais pela uniformização dessa quase aberração em que se tornou hoje o termo “world music”, determinou o reajustamento das facetas mais regionais e específicas da música, a regras de produção que passam, em primeiro lugar, pela normalização da faceta rítmica, de modo a fazer chegar mais facilmente e mais longe a música dos “grupos de sucesso” aos ouvidos do consumidor de “world”. Mas se no caso dos Hedningarna esta “desvirtuação” corresponde, afinal, a linhas de força que já estavam, desde o início, implícitas na evolução do grupo, no caso das Värttinä, isso correspondeu, de facto, a uma simplificação e empobrecimento do projecto inicial. “Aitara”, o álbum anterior, era já um álbum de popfolk sofisticada, em que a beleza das melodias e as intocáveis capacidades vocais do grupo compensavam a ausência de uma leitura da tradição mais aprofundada. “Kokko” continua pelo mesmo caminho, abrindo às Värttinä uma fatia ainda mais alargada do mercado mas, provavelmente, deixando pelo caminho alguns dos seus apoiantes da primeira hora.
Ritmicamente previsível, para não dizer mecânico (é preciso esperar até ao último tempo para se deparar com a honrosa excepção, na maravilhosa polifonia de “Emoni ennen”), “Kokko” joga ainda na sedução e autenticidade das vozes como último recurso para manter a ligação à obra do passado, mas é óbvio que foi pensado e feito para ser mais facilmente digerível e arrumado nas gavetas da “world” sem fronteiras. Boa sorte para elas e volte-se a atenção para os novos (e alguns antigos mas, por enquanto, desconhecidos no resto na Europa) grupos da cena escandinava, como Garmarna, Hoven Droven, Den Fule, Troka, Tallari, Loituma, Norrlatar, Niekku, Ottopasuuna, Sirmakka, JPP ou Pirnales, para se encontrar renovados motivos de fascínio e descoberta. Já agora, compare-se com o álbum das duas irmãs do grupo, Sari e Mari Kaasinen, criticado algures nesta mesma página… .



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