Diamanda Galás – “Schrei X”

Pop Rock

22 Janeiro 1997
pop rock

Diamanda Galás
Schrei X
MUTE, DISTRI. BMG


dg

Aranhas, esqueletos, monstros, coisas informes e ameaçadoras, a artista encharcada em sangue. Brrr!… Só a imagens da capa metem medo. Diamanda Galás faz gala em assustar-nos. O texto interior informa que “Schrei X” “foi feito em completa escuridão” ao mesmo tempo que aconselha a “tocar o disco apenas com o volume no máximo”, esclarecendo que “não se trata de música ambiente”. Ficamos esclarecidos e preparados para as piores torturas auditivas e psicológicas. A diva personificadora da sida que recentemente actuou entre nós, no CCB, em Lisboa, faz-nos a vontade. “Schrei X” é o disco mais radical e, eventualmente, de audição mais insuportável, da sua discografia. Diamanda grita e arranha e grunhe do princípio ao fim de 24 curtos segmentos (metade deles registados ao vivo) de horror sobre a alienação, a claustrofobia e a dor, temas da sua especial predilecção, sobre os quais lança o anátema da sua voz de feiticeira enlouquecida. De um ponto de vista conceptual, faz sentido ver nesta obliteração total das formas musicais convencionais, uma vontade de ruptura que não se esgota na mera provocação, mas antes procura expurgar toda a superficialidade do acto de criação artística. Quanto ao prazer auditivo que se poderá retirar deste mesmo acto, estamos conversados. “Schrei X” poderá soar como “new age” a ouvidos masoquistas. Para os outros, sobreviver incólume a este ritual de uma voz infectada pela raiva, já será um feito. O vírus alastrou à alma da música. (6)



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