Cassiber – “Beauty and the Beast”

Pop Rock

26 Fevereiro 1997
reedições

Cassiber
Beauty and the Beast
RECOMMENDED, DISTRI. ANANANA


cass

É a primeira reedição em compacto do original de 1984, à qual foi acrescentado “Time running out”, anteriormente apenas disponível em “single” com edição limitada. Hermético, como todos os discos deste quarteto formado por Christopher Anders, Chris Cutler, Heiner Goebbels e Alfred Harth, “Beauty and the Beast” consegue ser, apesar de tudo, mais imediatamente apreensível do que os posteriores e radicais “Perfect Worlds” e “A Face we all Know”. Totalmente improvisada ao vivo no estúdio e dispensando ensaios prévios, as 14 “canções” de “Beauty and the Beast” jamais se deixam desagregar nas libertinagens proporcionadas pelo livre exercício de estilo, antes condensam toda a estética Recommended num híbrido de “jazz” de câmara, intervencionista nos mesmos moldes esotéricos dos Art Bears, que apelam e recorrem a estruturas profundamente enraizadas no inconsciente.
Chris Cutler, anarquista, ideólogo da Recommended e ex-percussionista dos Henry Cow, deixa, nos únicos três temas vocalizados/gritados por Anders, “Six rays”, “Vengeance is dancing” e “Under new management”, o selo do seu modo de encarar a revolução, em textos que, parecendo apenas tocar em meia dúzia de iniciados, agem a níveis mais profundos do que se optassem pelo simples panfletarismo. “Vingança é dançar num redemoinho de verde, um ‘flirt’ com o assassínio; a justiça é o seu tambor”, de “Vengeance is dancing”, cuja estrutura foi posteriormente desenvolvida em “Perfect worlds”, são palavras que poderão soar elípticas ao auditor ocasional mas é neste discurso sem concessões dos Cassiber que estão contidos os germes de terrorismo estético mais violentos dirigidos contra a sociedade ocidental capitalista. Como em “Eine minute”, um autêntico libelo de morte, na literalidade dos disparos de uma arma de fogo (seria interessante recuar até à obra anterior da dupla alemã Goebbels/Harth, para encontrar uma postura formal com o mesmo carácter formal de subversão), alternando com a discursividade “free” do saxofone. O tema final é paradigmático: uma versão enraivecida de “At last I am free”, dos Chic, em contraponto ao registo de desolação que Robert Wyatt empregara em “Nothing Can Stop us”. (9)



Share and Enjoy !

0Shares
0 0 0

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.