Arto Lindsay – “O Corpo Sutil”

Pop Rock

20 de Novembro de 1996
poprock

Arto Lindsay
O Corpo Sutil
GRAMAVISION, DISTRI. MVM


al

Sendo previsível, não deixa de constituir uma surpresa, pela radicalidade do projecto, mais esta incursão de Arto Lindsay na bossa-nova. Previsível porque, ao longo da sua discografia recente – desde os Ambitious Lovers às colaborações com Seigen Ono, em “Comme des garçons”, ou com Heiner Goebbels, em “Man in the Elevator” –, sempre o guitarrista encontrou espaço para manifestar o seu gosto pela música brasileira e pela língua portuguesa, que lhe ficou de uma adolescência vivida no Brasil. Surpresa, porque “O Corpo Sutil” (ou “The Subtle Body”, no segundo título, em inglês) é um álbum inteiro dedicado à bossa-nova, desdenhando por completo o lado eléctrico do músico, presente no seu trabalho com os DNA (pioneiro, juntamente com os Mars e James White/Chance, do “punk” norte-americano), os Lounge Lizards, Golden Palominos ou as colaborações com Peter Scherer e John Zorn. A ideia do projecto partiu de Ryuichi Sakamoto (um dos participantes no álbum), que convidou Lindsay a gravar um álbum só de bossa-nova para a sua editora Gut. Daí nasceu “O Corpo Sutil”, uma obra intimista, com as cores de um pôr-do-sol triste, onde a essência da bossa-nova é levada ao colo como um bebé pelos “monstros” da “downtown” como Melvins Gibbs, Marc Ribot, Bill Frisell e Joey Baron. Brian Eno e os brasileiros Naná Vasconcelos, Vinicius Cantuária, Cyro Baptista são outros dos convidados desta incursão no lado azul do Brasil. Um álbum próximo e distante de nós, de palavras sussurradas, de ecos e vibrações acústicas, onde Arto Lindsay expõe o corpo subtil (astral) da sua música. Uma ilusão? “Mas a ilusão, quando se desfaz, dói no coração de quem sonhou longe de mais”, canta Arto Lindsay em “Este seu olhar”, de António Carlos Jobim. (7)



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