Material – “Hallucination Engine” + Vários – “Lost In The Translation”

Pop Rock

12 de Junho de 1996
reedições poprock

Material
Hallucination Engine (7)
Vários
Lost in the Translation (5)
AXIOM, DISTRI. POLYGRAM


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Bill Laswell chegou tarde, primeiro à “world music” e mais recentemente à electrónica “cósmica”. A sua curiosidade, sempre insatisfeita, encontrou nestas duas áreas, de vastíssimas fronteiras, terreno fértil para o baixista experimentar a sua ideia de síntese universal. A consequência mais óbvia desta entrada em cena tardia é o sabor a “melting pot” saturado de citações e remissões, mas sem qualquer frescura ou leveza. “Hallucination Engine” prende-se ao lado mais jazzístico e às correntes “etno”, obviamente afogadas no baixo pesadão e comilão que faz o seu estilo.
As estrelas, convidadas em grande número – de Wayne Shorter a Jonas Helleborg, de Zakir Hussain a Trilok Gurtu, de Bootsy Collins a William Burroughs -, se facilitam a permuta de linguagens, não garantem por si só a estabilidade do projecto. Mas a sucessão de clima e a temperatura elevada sustentam esta incursão pelo panteísmo global que parece ser o objectivo último de um dos criadores da “etno-seca”.
Em “Lost in the Translation” (por sinal o mesmo título de um álbum de Roger Eno), a teoria é semelhante só que inserida num contexto “ambient” e no âmbito das “Sound sculptures” em que Laswell é exímio. Se as investigações de Laswell na Fax de Pete Namlook levam às últimas consequências o lógica do absurdo e do vazio, aqui ficam-se por um meio-termo onde o classicismo, muito Klaus Schulziano, cai de podre, a “ragga” indiana faz de antibiótico e as emanações “cósmicas” cheiram a bafio.
São oito longos temas com quinze minutos médios de duração, em diversas combinações de músicos (Laswell mais Tetsu Inoue, Laswell mais Helleborg, Laswell mais The Orb, Laswell mais Shankar, Laswell mais George Clinton, Laswell mais…) que uma cabeça atestada de ácido achará eventualmente curtos, mas que outra, “straight”, pura e simplesmente não aguentará. As informações da capa – uma espécie de manual de abertura das portas da percepção – são pródigas em termos como “misticismo”, “mensageiro simbólico do espírito” e “cura espiritual”. Os temas dão por nomes como “Peace” (que vale pelo belíssimo solo de sax de Pharoah Sanders), “Aum”, “Cosmic trigger” e “Holy mountain”. O último, “Ruins”, é uma citação, quase decalque, de “Pappy Nogood and the phantom band”, de Terry Riley.
Laswell e os amigos dizem em duas horas o que Laswell já dissera de forma sucinta na dupla face “dance”/”meditation” de “Day of radiance”. Ainda dizem mal do Progressivo…





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