Kim Fowley – “Let the Madness In”

Pop Rock

20 de Dezembro de 1995
Álbuns poprock

Kim Fowley
Let the Madness In

RECEIVER, DISTRI. MEGAMÚSICA


kf

Sem cair no exagero de Adolfo Luxúria Canibal – que, numa entrevista recente, afirmava que devia haver, além dele, mais duas ou três pessoas que conheciam a música de Kim Fowley -, é forçoso admitir não estarmos propriamente na presença de uma estrela. Fowley é um lunático, um prolixo lunático que, ao longo dos anos 60 e 70, assinou uma mão cheia de álbuns onde reina o delírio, a par de um número assinalável de produções. Álbuns como “Good Clean Fun”, de 1969, onde o absurdo se instala em faixas como “Motorcycle” – a letra é um vómito prolongado de grunhos e onomatopeias sob a forma de poema romântico de um jovem à sua namorada – ou “The great telephone robbery”, em que Fowley se faz passar por vários personagens e disca telefonemas ao acaso, gravando as respectivas conversas, sugerem uma espécie de Zappa intoxicado por ácido cortado com excesso de estricnina. 1995 assistiu a uma nova investida programada de Fowley, através do regresso aos palcos e da edição do presente álbum – um retrocesso, de certa forma imprevisível, para os batimentos metálicos da “cold wave” e da “música industrial” mais do que uma entrada em letra capitular nas catedrais da “tecno” e da “house”. É um disco de dança e de suor mecânicos, que destila sexo e fantasias de couro e de chicote por cada b.p.m., a começar na recorrência obsessiva de “Lipstick lesbians” e a acabar em “Tori Amos drinking teardrops in the twilight zone” e “Orson Wells’ mother”. “Let the madness in”, apesar de não possuir o mesmo fôlego e “lunacy” dos álbuns do passado, continua, porém, a resolver-se no desequilíbrio e a derreter um número razoável de células cerebrais. (7)



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