Hans-Joachim Roedelius – “Theater Works”

Pop Rock

1 de Fevereiro de 1995
álbuns poprock

Hans-Joachim Roedelius
Theater Works

MULTIMOOD, IMPORT. ANANANA

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Roedelius, juntamente com Dieter Moebius, formou no início dos anos 70 um dos grupos mais importantes e menosprezados da escola electrónica alemã, os Cluster. Afastados tanto da vertente cósmica, que se viria a revelar dominante (T. Dream, Schulze, Wegmuller, Ashra, Eroc, etc.), como das antecipações tecno dos Kraftwerk (mas também dos La Dusseldorf), do orientalismo místico (Popol Vuh, Yatha Sidhra, Mythos), do romantismo (Hoelderlin, Parzival) ou do psicadelismo libertário (Amon Düül, Agitation Free), já não falando dos subprodutos “sinfónicos” (Message, Wallenstein) ou do jazz minimal dos Release Music Orchestra ou Achim Reichel, os Cluster anteciparam em quase vinte anos o som “industrial” (nos álbuns I e II) do final de década de 80, antes do encontro com Brian Eno os levar para o território do romantismo ambiental, encontro esse de onde resultaram os álbuns “Cluster & Eno” e “After the Heat”. A dissolução do grupo e as consequentes carreiras a solo de cada um permitiram perceber que Dieter Moebius era o experimentalista e o radical do grupo, enquanto Roedelius rapidamente enveredou por uma música que tanto devia a Eno como a um jazz de feira com uma costela romântica tipicamente germânica. O já extenso percurso discográfico de Roedelius pecou sempre por esta hesitação, visível em álbuns que vão da “new age” não assumida de “Momenti Felicci” a híbridos interessantes como “Der Ohren Spiegel”. Surpreendentemente, porém, este novo trabalho, reunião de temas dispersos compostos para bailado e peças de teatro, consegue a síntese almejada, através de uma música que pela primeira vez investe sem timidez nos ritmos electrónicos e no jazz de facto, como acontece no exercício “free” do saxofonista Herman Ridd, em “The blind”. É também o álbum onde Roedelius, a par da utilização de “samples” de Airto Moreira, Jorge Reyes ou Jorgen Thomasius, reencontra antigos companheiros, de Moebius a Eno, passando por Michael Rother, que em “Captured by letters” e “Long run” reactualiza o som dos Harmonia, fusão episódica dos Cluster com os Neu!, testemunhada nos álbuns “Musik von Harmonia” e “De Luxe”. Indispensável para os amantes da electrónica.

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