Vários Artistas – “Beat the Retreat”

Pop Rock

16 de Novembro de 1994
ÁLBUNS POP ROCK

Vários Artistas
Beat the Retreat

Capitol, distri. Warner Music


bt

Não se põe a questão se Richard Thompson merece ou não merece que lhe façam o disco de homenagem da praxe. Aliás, dois discos, já que existe outro, provavelmente até mais interessante do que este, em que os homenageadores provêm na totalidade da área da folk. O homem tem, não há dúvida, currículo – andou pelos Fairport Convention, conviveu com Fred Frith, casou-se e gravou belos discos com Linda Thompson – e fama de pessimista clínico. Mas, à excepção de um genial e trágico “I Want to See the Bright Lights Tonight”, a mais bem sucedida parceria com a então sua mulher Linda Thompson, com quem formou os Sour Grapes, e de “InStrict Tempo”, a solo, um fabuloso exercício de estilo na guitarra e instrumentos derivados, que me perdoem os seus indefectíveis, a música de Richard Thompson há muito cristalizou numa série de clichés, aos quais muita gente eufemisticamente chama “estilo”. Com uma ou outra variação de humor, um ou outro arranjo diferente, as canções de Richard Thompson não primam pela excelência e muito menos pelo arrojo formal. O autocolante “folk rock”, etiqueta que ajudou a criar, permanece colada à sua guitarra e a voz tem, é certo, a dose q.b. do “charme” de um “crooner” vagabundo a quem os anos afiaram o discurso e a visão. Mas “Beat the Retreat”, lamento mais uma vez dizê-lo, é vulgar. Como – perguntariam, se tivessem começado a ler este texto pelo fim –, se nele aparecem nomes como os X, R.E.M., Syd Straw com Evan Dando, Dinosaur Jr., June Tabor, Graham Parker, David Byrne, Beausoleil, Shawn Colvin com Loudon Wainwright III, Five Blind Boys of Alabama ou Maddy Prior com Martin Carthy, entre outros? Mas sim, o impossível acontece e a culpa é das canções que não dão para faer muitas flores. No meio do rock acidulado dos X (“Shoot out the lights”) e dos Dinosaur Jr. (“I misunderstood”), apropriações previsíveis do lado rockeiro de Thompson, destacam-se pela negativa os Los Lobos, que despojaram completamente da sua identidade trágica o magistral “Down where the drunkards roll” (um dos temas mais negros e de carga religiosa mais forte de “I Want to See the Bright Lights Tonight”), e, pela diferença, June Tabor, que transformou o balanço de “Genesis hall” (de “What We did on our Holidays”, obra antiga dos Fairport Convention, ainda com Sandy Denny) numa vocalização “a capella”. Maddy Prior, acompanhada pela guitarra de Martin Carthy, confere por seu lado um cunho pessoal a “The great Valerio”, um tema fantasmagórico de “Hokey Pokey”, outro dos bons álbuns do casal Thompson. (5)



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