The Future Sound of London – “Lifeforms”

Pop Rock

18 de Maio de 1994
ÁLBUNS POPROCK

The Future Sound of London
Lifeforms

2xCD Virgin, distri. EMI – VC


FSOL

Na aparência, o som dos Future Sound of London parece ser o prolongamento lógico e a duas décadas de distância dos dinossauros cósmicos Tangerine Dream e, sobretudo, do pai de todos os ambientalismos – Brian Eno. Mas enquanto os gurus do “kosmische rock” procuravam em primeiro lugar a “trip” acústica, indutora de viagens pelos meandros da mente, os FSOL limitam-se a fabricar a banda sonora do vazio de uma ressaca após as devastações provocadas pelo “ecstasy” ou por outros ácidos aos quais inverteram os efeitos. Gary Cobain, um dos mentores dos FSOL, diz a propósito que “Lifeforms” é “sobre deitar fora o que está na cabeça”. Na linha do que já haviam feito os KLF e continuam a fazer os The Orb, a banda de Cobain e Brian Dougans apropriou-se de cápsulas vazias, dos sintetizadores sem alma e dos resíduos eléctricos de uma cidade à qual subitamente desligaram todos os maquinismos.
“Lifeforms” não é música do futuro, mas tão-somente a antecipação do deserto de criaturas com o cérebro anestesiado e alimentado de pseudo-emoções sintetizadas em laboratório. A fauna e a flora que parasitam os muros electrónicos de “Lifeforms” são constituídas por seres de artifício com a forma de “chips” animados, pairando sobre um universo de circuitos integrados e arquitecturas virtuais materializados num ecrã de vídeo. Adormecemos num transe hipnótico embalados por esta música do admirável mundo novo como o descrevia Aldous Huxley, estrutura fechada ao transcendente, onde não havia lugar para seres humanos acordados e vigilantes. Muito a propósito, Robert Fripp, discreto, empresta a sua guitarra a um dos temas de “Lifeforms”, um disco que, descontando toda uma filosofia ou ausência dela que lhe está subjacente, tem o defeito de se estender por demasiado tempo. Ou é já de uma outra noção alterada de tempo que se trata? (7)



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