Material – “Hallucination Engine”

Pop Rock

13 ABRIL 1994
ÁLBUNS POPROCK

Material
Hallucination Engine

Axiom, distri. BMG


matrial

Bill Laswell vem de há longos anos a esta parte procurando a síntese de várias tipologias, que no estilo inconfundível do seu baixo eléctrico encontram o fio de prumo necessário para não se volatilizarem algures na alucinação virtual de um estúdio de gravação.
“Hallucination Engine” representa a fase actual da obra deste mago de laboratório onde se congregam numa amálgama vulcânica (embora longe esteja o fogo de trabalhos prévios como “Memory Serves”, “Temporary Music” e “One Down”) o funk, o acid-jazz, as infiltrações étnicas provenientes da faixa que se estende desde o Norte de África até à Índia (descendo até ao coração do continente negro no tema final, “Shadows of paradise”, culminar de uma viagem de retorno à fonte dos ritmos e melodias primordiais), o jazz e o “dub” ambiental (do tema “Mantra” já se apropriaram os The Orb, numa versão de 17 minutos).
Sendo lícito descortinar afinidades, sobretudo ao nível das fragmentações “dub”, com Jah Wobble ou os African Head Charge, é contudo com os germânicos Can, e em particular com Holger Czukay (cujo álbum mais recente, “Moving Pictures”, seria o pólo etéreo de uma música com idênticos objectivos), que Laswell partilha uma estratégia global, mescla de tecnologia e tribalismo, cuja finalidade seria em última instância a criação de uma espécie de “trance music” planetária, afinal a mesma que os Can se propunham realizar, há duas décadas com meios artesanais.
Accionam os maquinismos deste indutor de alucinações (imagens recontextualizadas dos vários exotismos folclóricos, mas também do discurso de William Burroughs ou da música dos Weather Report e John Coltrane) uma horda da qual fazem parte, entre outros, Wayne Shorter, Nicky Skopelitis, Bernie Worrell, Bootsy Collins, Shankar, Sly Dunbar, Jonas Hellborg, Zakir Hussain, Trilok Gurtu, Vikku Vinayakram e Ayib Dieng. Desfeito o sonho, completa a mutação de síntese, ficarão talvez apenas as ruínas e o vento electrónico que paira sobre o tema “Ruins (submutation dub)”. Como dizia Heraclito, anulados os contrários, sobrevém a morte. (7)

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