Yole – “L’Amour d’Eloїse”

Pop Rock

21 JULHO 1993
WORLD

A ARTE DA JARDINAGEM

YOLE
L’Amour d’Eloїse

CD Several, distri. MC-Mundo da Canção


yole

Em primeiro lugar, esqueça-se o título, capaz de desencorajar qualquer um. Mas não, não tem nada a ver com Richard Clayderman. Agora – segurem-se bem – a melhor parte: “L’Amour d’Eloїse” é um sério candidato a ocupar um lugar de mérito na corte onde reinam os Lo Jai, com a sua obra-magna “Acrobates et Musiciens”, agora finalmente disponível em quantidades decentes nas lojas do costume. Os Yole são um quinteto francês, cujos membros (não vale a pena dizer os nomes porque ninguém os conhece) tocam uma quantidade apreciável de instrumentos: acordeão, harmónica, guitarra, baixo, sanfona, gaita-de-foles, clarinete, saxofone, oboé, violino, percussões e bateria (desculpem se gasto várias linhas a nomear a instrumentação, mas penso que esta serve para dar uma ideia da tonalidade, de uma concepção geral do som…). Dedicam-se a inventariar e, melhor ainda, a enriquecer a música tradicional da região de Vendée, um enclave situado na costa atlântica, a sul da Bretanha. Percebe-se a vizinhança. Nas formas vocais de canto e resposta, na construção sincopada dos compassos, embora menos bruscos que no Norte. A diferença está em que, divergindo das duas principais tendências seguidas pelos grupos bretões – uma de fidelidade extrema às raízes, caso dos Skolvan, Storvan, Stronibell ou Gwerz, outra, oposta, de fusão com o jazz e o rock, caso dos Gwendal, Triskell, Bleizi Ruz ou Sonerien Du –, os Yole são antes, utilizando o título de uma canção dos Malicorne, “jardineiros do convento”. Expressão, neste tipo de música, equivalente ao trabalho do jardineiro que transforma, adapta e recria a vegetação natural, de maneira a transformá-la num jardim. Escute-se, por exemplo, o resultado, no canteiro de delícias que é “Bonsoir madame la mariée/Pás d’ êté”. O mesmo que fizeram os Lo Jai, no álbum citado (o primeiro, “Musiques Traditionelles du Limousin”, é outra coisa) e, anos antes, grupos como os Maluzerne, Mélusine, Malicorne ou La Bamboche. Uma visão “palaciana” e aristocrata da folk francesa, já de si bastante sofisticada na forma e na variedade, cujo objectivo principal é a procura de uma essência, de um som ideal, obtido a partir da depuração e transformação do material étnico original. Dentro desta corrente, ““L’Amour d’Eloїse” pode desde já considerar-se uma das grandes surpresas deste ano. (9)

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