Concertos – “Mestres em Despique” – John McLaughlin, Paco de Lucia, Vicente Amigo e Al Di Meola

Pop Rock

23 JUNHO 1993

MESTRES EM DESPIQUE

John McLaughlin, Paco de Lucia, Vicente Amigo e Al Di Meola reatam em Portugal o projecto “lendas da guitarra”, primeiro em separado, depois numa “jam session” conjunta, num duelo onde não se prevê que haja vencidos.


Al Di Meola, John Mclaughlin and Paco de Lucia

John McLaughlin em Trio

Mestre místico. De incondicional da guitarra eléctrica, ao lado de Miles Davis, rendeu-se às maiores delicadezas da sua irmã acústica, sob a influência dos ensinamentos do guru Sri Chimnoy. Na Mahavishnu Orchestra, juntou as orações e a electricidade no monumento ao jazz rock que é “Birds of Fire”. Depois desligou a ficha, juntou-se a músicos indianos, cruzou as pernas e sentou-se no chão a tecer encantamentos com os Shakti, como “Handful of Beauty” e “Natural Elements”. Não têm conta as lições de guitarra que leccionou em disco. Decorem-se as seguintes: “Bitches Brew” (de Miles Davis), “Extrapolations”, “The Inner Mountain Flame”, “Birds of Fire”, “Electric Guitarists”. Em todas elas, John McLaughlin provou que a guitarra pode ser uma religião.

Paco de Lucia em sexteto

Mestre do flamenco. Duende do flamenco. Conseguiu juntar com êxito – e como se fosse a coisa mais natural deste mundo – a música cigana e o jazz. E talvez seja, de facto, o casamento mais natural deste mundo. Tocou já em Portugal, onde deixou atrás de si um rasto de fogo. Alia a fidelidade às técnicas de interpretação ciganas com um notável espírito de improvisador. Talentos que podem ser apreciados em registos discográficos abrangendo um leque de estilos diversificado, que vai do flamenco puro e da interpretação de Andres Segovia à recriação do célebre “Concerto de Aranjuez” e às improvisações jazzísticas partilhadas com McLaughlin e Di Meola, em “Friday Night in San Francisco” e “Passion, Grace & Fire”.

Vicente Amigo em quinteto

Mestre do flamenco mas mais novo. Como Paco de Lucia, não encara o flamenco como uma natureza morta, antes como um campo musical fértil de possibilidades de cruzamento com outras músicas. Vicente Amigo brilhou no ano passado em Sevilha, no célebre festival “lendas da guitarra”. A música cigana pode contar com ele para a transportar ao futuro. No nosso país, a televisão tem-lhe feito a desfeita de pôr os seus espectáculos em confronto directo com outros mais popularuchos. Inevitavelmente, ganham os popularuchos. A partir do dia 25, contudo, espera-se que Amigo passe a ser um vencedor.

Al Di Meola em trio

Mestre das fusões latinas. Começou por ser influenciado pelos Beatles, depois ouviu Miles Davis e não voltou a ser o mesmo, após o que ouviu Chick Corea e voltou de novo a não ser o mesmo. Optou pelo pianista (Corea, Miles é mais a trompete), que o deixou fazer parte dos Return to Forever. Além de ter participado no tal trio com John McLaughlin e Paco de Lucia, gravou uma série de álbuns onde nunca conseguiu mostrar ser tão bom compositor como os seus companheiros. “Casino”, “Splendid Hotel”, “Electric Rendez-vous” ou o acústico “Cielo e Terra” não passam de obras de fusão, competentes é certo, mas sem a centelha de génio que frequentemente atinge os seus amigos. O novo álbum “Heart of the Immigrants”, com a banda recente, World Sinfonia, não traz nada de novo, tendo pelo menos a virtude (para alguns…) de pretender dar um rosto moderno às sonoridades sud-americanas. Aquilo para que, de facto, tem mais jeito.

Dia 25,
CAMPO PEQUENO, 22H



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