Kate Bush – “The Red Shoes”

Pop Rock

27 OUTUBRO 1993

SAPATOS NA CHAMINÉ

KATE BUSH
The Red Shoes

EMI, distri. EMI – VC


kb

“The Whole Story”, a colectânea que vendeu milhões, fez aumentar as responsabilidades e a pressão. Kate Bush respondeu com a cartada do profissionalismo bem fornecida de ases. Ao Trio Bulgarka e ao menino prodígio do violino clássico Nigel Kennedy, que já vêm de “The Sensual World”, juntaram-se outros trunfos de peso: Jeff Beck, Eric Clapton e Prince! Com estrelas desta envergadura, Gary Brooker, o velhinho teclista do Procol Harum, e Lenny Henry não passam de valetes. E no meio deles todos, Justin Vali, o “virtuose” de “valiha” do Madagáscar, é um ilustra desconhecido que consegue dar a grande nota de diferença.
Rompido o véu do mistério, o que não é dado a ver do outro lado não é de molde a provocar grande excitação. As canções são quase todas previsíveis, a própria voz, que antes funcionava como poderoso afrodisíaco, já não é a mesma.
A generalidade de “The Red Shoes” é assim “mainstream”, um investimento na segurança musical. Música para a qual a língua inglesa encontrou uma definição bastante apropriada: “middle of the road”. Tem os ritmos que Kate Bush aprendeu com Peter Gabriel e canções como “Constellation of love”, um tema com fortes possibilidades de fazer sucesso nas discotecas. Eric Clapton assina o ponto em “And so is love” e Jeff Beck desempenha melhor o mesmo papel em “You’re the one”. Mas, surpresa das surpresas, uma das maiores do disco, vem da própria Kate Bush, que, na guitarra eléctrica e no baixo, se aventura um bocadinho mais longe, em “Big stripey”, canção musculada e das mais bem sucedidas do disco. Justin Vali dá um sabor tropical a “Eat the music” – que fala de mangas e papaias e onde “bananas” rima com “sultanas” – e empurra, com o auxílio do “tin whistle” de Paddy Bush, “The red shoes”, outro do temas mais aproveitáveis. “Rubberband girl” tem destino marcado nos “tops” e “Why should I love you”, a tal canção onde Prince canta e rabisca parte do arranjo, retoma a temática, nada original, da ligação sexo/religião. Ligeiros sobressaltos proporcionam “Moments of Pleasure”, introspecção cinematográfica ao piano, e os conselhos esotéricos, na introdução de “Lily”, declamados por uma enigmática personagem com o mesmo nome.

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