Pere Ubu – “Story Of My Life”

Pop Rock

10 MARÇO 1993

A VIDA NÃO ESTÁ PARA LOUCURAS

PERE UBU
Story of my Life

CD Fontana, distri. Polygram


pu

Os Pere Ubu foram, ao lado dos Talking Heads, um dos grupos mais importantes a emergir, no final dos anos 70, da New Wave norte-americana. Fundiram (o termo aplica-se com toda a propriedade já que os Pere Ubu são originários de Cleveland, zona industrial onde proliferam as fundições) com sucesso a urgência e sonoridade das “garage bands”, o surrealismo sonoro e conceptual (“Pere Ubu” é o nome de uma personagem saída da pena de Alfred Jarry) e melodias pop em equilíbrio precário. Tudo condimentado pela “verve” poética, o humor, o exotismo e as vocalizações bizarras do seu guru com cara de bebé gordo Nestlé, David Thomas.
“The Modern Dance”, “Dub Housing”, “New Picnic Time”, “The Art of Walking” e “Song of the Bailing Man” exponenciaram ao máximo uma estética que a partir de “The Tenement Years”, derradeiro grande trabalho dos Pere Ubu, começou a definhar. Se “Cloudlands”, voltado já de frente para a pop sem grandes ambiguidades, ainda acertava no binário melodias acessíveis/radicalismo sonoro, o álbum seguinte, “Worlds in Collision”, apenas pela voz inconfundível de Thomas se distingue de uma qualquer banda de “garage rock” estado-unidense. Este novo trabalho, com a formação dos Ubu composta, além de Thomas, por Scott Kraus, Jim Jones e Tony Mainmone (Chris Cutler foi membro semi-oficial dos Ubu em “Cloudlands”, Allen Ravenstine já abandonara antes), é um pouco a tentativa de regresso aos bons velhos tempos e à diferença que antes se fazia sentir à distância. Só que a chama, percebe-se, dificilmente voltará a acender-se. “Story of my Life” apresenta um David Thomas ainda e sempre em agonia vocal, servido por arranjos que procuram simular a espontaneidade do antigo som de garagem mas que não primam pela originalidade. Evocam-se os coros e meneios dos anos 50, o vocalista conta as habituais histórias entre a tragédia familiar e o “nonsense”, mas a magia de outrora nunca chega a funcionar. Nem sequer à custa das fotografias de paisagens industriais que caracterizavam a fase gloriosa da banda. Destaque para um tema de maior arrojo formal, “Postcard”, e para o humor delirante da série de desenhos assinados por Peter Blegvad (excêntrico britânico de génio, passou pelos Slapp Happy, Henry Cow, Faust, Golden Palominos, um álbum a solo de antologia, “The Naked Shakespeare”), sobre as desventuras de infância de David “azarado” Thomas. Pouco, para uma banda de tantos pergaminhos. (6)

aqui (FLAC)



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