Neil Young – “Lucky Thirteen”

Pop Rock

10 FEVEREIRO 1993
REEDIÇÕES

O TURISTA ACIDENTAL

NEIL YOUNG
Lucky Thirteen
CD Geffen, distri. BMG


ny

Não tem o espírito nem a unidade das (boas) obras acabadas. Nem poderia ter. “Lucky Thirteen”, subintitulado “Excursions into Alien Territory”, é, como o título indica, uma recolha de temas (incluindo dois inéditos e misturas originais de canções de “Trans”, “Old Ways” e “Landing on Water”) do autor do recente “Harvest Moon”, gravados entre 1982 e 1987 na editora Geffen, antes da posterior mudança para as hostes da Warner. Fragmentos que, se outras virtudes não tivessem, servem pelo menos para mostrar algumas facetas mais obscuras de um compositor que passou incólume, para já, por três décadas de transformações e modas no interior da música popular. Para o novato – que de Neil Young apenas retém a imagem da serenidade acústica de “Harvest Moon” –, a audição de “Lucky Thirteen” poderá constituir um choque. Nos dois temas iniciais, “Sample and hold” e “Transformer man”, retirados desse estranho objecto gravado em 1983, com o título de “Trans”, não há quaisquer elementos de estilo que permitam identificar o seu autor. A voz filtrada por um Sinclavier, utilizado à maneira de uma Vocoder, a par de arranjos onde predominam os ritmos sintéticos operados num sequenciador fazem lembrar mais os Kraftwerk e nada das obras passadas e futuras, saídas da inspiração deste “cowboy” solitário. “Depression blues”, “Once an angel” e “Where is the highway tonight”, extraídos das sessões de “Old Ways” (1983), são os únicos temas que aqui remetem para a fase actual do compositor, os dois últimos carregados com o mesmo tipo de magia que se desprende de “Harvest Moon”. Descontando as gravações ao vivo de “Get gone”, “Don’t take your love away from me”, “Ain’t it the truth” e “This note’s for you”, onde a qualidade sonora deixa bastante a desejar, restam quatro canções, nas quais Neil Young volta a servir-se dos sintetizadores, embora num contexto diferente de “Trans”: o aviso à navegação de “Hippie Dream”; a viagem com pompa e circunstância até ao reino dos Queen em “Around the world”; e a completar a série, um par de temas, “Pressure” e “Mideast vacation”, que Neil Young aproveitou para se apropriar dos tiques vocais de David Byrne.
Para os incondicionais de Neil Young, “Lucky Thirteen” é indispensável. Para os outros será, conforme o grau de iniciação, uma desilusão ou uma revelação. (7)

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