Naked City – concerto em Portugal

Pop Rock

27 MAIO 1992
SÓ CONCERTOS – JULHO

Zorn

NAKED CITY – Segunda vez em Portugal. A mesma formação do ano passado: John Zorn (saxofone esquizóide, gritos e apitos), Fred Frith (baixo confortável), Wayne Horvitz (teclados, bits e bites), Bill Frisell (guitarra planante ou arranhada, é conforme), Joey Baron (bateria circunspecta). Data única confirmada: 10 de Julho, em Lisboa, na Aula Magna. Para fazer esquecer o barracão das traseiras do Fórum, capaz de tornar lixo o melhor som, como foi o caso. Organização de novo a cargo dos Concertos de Portugal. Os preços, por confirmar, devem rondar os 2500 escudos. Nas Picoas, foi um pouco como ir ao circo. As bocas abriram-se muito de espanto, perante a velocidade estonteante dos executantes. Sobretudo as daqueles desconhecedores de obras capitais do saxofonista, como “The Big Gundown” ou “Spillane” (em que a rapidez não apagava os pontos intermediários da viagem, ou então é o crítico que está a ficar senil) ou, no caso de Frith, os geniais “Gravity” e “Speechless”, sem esquecer a importância das obras a solo de Horvitz e Frisell. Desta vez, como será? Aparentemente, ainda mais rápido. “Torture Garden”, o novo álbum dos Naked City, impressiona como o estalo de um raio. As faixas raramente alcançam a eternidade dos sessenta segundos. Os ouvidos têm de ser rápidos para acompanharem a coisa, a riqueza do pormenor, as “nuances” microscópicas, às dezenas, espalhadas por cada milésimo de segundo. Houve que ousasse aplicar-lhe o termo “trash”. Talvez por não se ter apercebido da subtileza, quase sinfónica, de uma música somente perceptível e saboreável em profundidade a uma rotação de disco por segundo. Os cinco intérpretes, não se duvide, são fabulosos. Independentemente de conseguirem ou não alguma vez condensar a história completa da música numa única espira. Enquanto não o conseguem, vale a pena apreciar as tentativas.

Naked City – “Naked City” (1989), 320kbps, aqui



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