Pink Floyd – Echoes – The Best of Pink Floyd

30.10.2001
Pink Floyd: Ecos do Século Passado
Pink Floyd
Echoes – The Best of Pink Floyd
2xCD EMI, distri. EMI-VC

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Normalmente, as colectâneas “o melhor de…” são desperdício para o fã deste ou daquele grupo, para quem o que conta são os álbuns originais que traçam o percurso histórico e sinalizam as diversas fases de evolução dos artistas da sua preferência. Não é o caso de “Echoes”, primeiro “Best of” de sempre dos Pink Floyd, ao cabo de 35 anos de carreira. Não é uma colectânea como as outras, da mesma forma que os Pink Floyd nunca foram uma banda como as outras. Da embalagem, delicioso jogo de espelhos e “trompe l’oeil” que tanto evocam o design da companhia Hipgnosis como os ilusionismos gráficos de Escher, ao som, objecto de nova remasterização que faz empalidecer as anteriores, nada foi deixado ao acaso. “Echoes” foi construído como uma história imaginária que acentua a intemporalidade da música dos Pink Floyd. Em vez do alinhamento preguiçoso de faixas, por ordem cronológica, optou-se por arriscadas transições que unem, através de “editing”, “See Emily Play”, de 1967, a “The happiest day of our lives”, de 1979, “Learning to Fly”, de 1987, a “Arnold Layne”, de 1967. O incrível é que faz sentido, dando a entender uma outra lógica de encadeamento que manipula e altera de forma eficaz e, por vezes, surpreendente, as emoções que julgávamos definitivamente arquivadas na enciclopédia dos Pink Floyd.
Ao todo, “Echoes” junta 28 temas do grupo que, com os Soft Machine, foi responsável pela introdução, em 1967, do Psicadelismo em Inglaterra, nos tempos épicos das actuações no clube londrino UFO. Nunca a voz e o surrealismo mental de Syd Barrett, em temas como os já citados “Arnold Layne” e “See Emily Play”, mas também “Jugband blues” e “Bike”, soaram tão luminosos. A faceta “Space Rock” faz-se representar pelos incontornáveis “Astronomy domine”, “Set the controls for the heart of the sun” e o mais tardio “The great gig in the sky”, já do mega-sucesso “The Dark Side of the Moon”, cuja presença em “Echoes” se faz sentir ainda nos demasiado “gastos”, “Time” e “Money”. “Wish You Were Here”, com a tocante homenagem a Barrett que é “Shine on you crazy diamond”, a abrir o disco 2, e “The Wall”, de 1979, álbum chave para a compreensão da atitude que orientou grande parte da produção rock e pop dos anos 70 e do talento como compositor e dos fantasmas que fervilhavam no cérebro de Roger Waters, fazem-se obviamente representar neste “Best of” que consegue o prodígio de fazer soar fresca uma música mil vezes ouvida.
Mesmo os temas de álbuns menores, como “A Momentary Lapse of Reason” e “The Divison Bells”, ganham uma insuspeita credibilidade graças a um alinhamento que os recontextualiza. São ainda recuperados dois álbuns de transição, “Animals” e “The Final Cut”, e um tema (“We the tigers broke free”) da banda sonora de “The Wall. A única mácula de “Echoes” será talvez o corte de seis minutos (de 22 para 16…) na suite, com o mesmo nome, que ocupa o lado dois da edição original em vinilo de “Meddle” – mas o “novo” som, fabuloso, faz esquecer esta “traição” de uma colectânea onde são notórias a inteligência e uma compreensão genuína do que os Pink Floyd representaram para a música popular do século passado.

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