Füxa – Accretion

18.12.1998
Füxa
Accretion (8)
Mind Expansion, import. FNAC

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Indiferentes ao esvaziamento progressivo do termo pós-rock os ingleses Füxa não esmorecem no seu empreendimento de redescoberta e utilização das sonoridades do sintetizador Moog que os Progressivos dos anos 70 usaram e abusaram há quase 30 anos atrás. Depois da violência escamosa e de uma certa faceta ritualística do seu disco de estreia, “3 Field Rotation” e da estranha obsessão com o órgão electrónico presente no posterior “Very Well Organized”, os Füxa parecem agora, mais do que nunca, extasiados, com a manipulação dos famosos filtros de frequência do Moog. “Accretion” é um manancial de sonoridades analógicas imediatamente reconhecíveis, de blips, e oims (peças como “City”, “Metro”, “Some soviet station” e “Karmaloop” são, neste particular, verdadeiros rebuçados para o ouvido) às quais, contudo, os Fuxa conferem uma aura de excitação e de novidade, como se este som só agora fizesse sentido, num trabalho de higiene contra o terrível branco asséptico de projectos de escritório como Oval e Microstoria. Com os Füxa os sintetizadores tornam-se de novo máquinas ao serviço dos humanos, com as imperfeições próprias de quem as manuseia mas também com a frescura e o deslumbramento de crianças a desmontarem os seus brinquedos. O “hip hop” é atirado para o caixote de lixo dos detritos sonoros (o mesmo caixote de lixo amachucado que os Jessamine poliram e deixaram estragar no seu novo álbum…) em “Convective envelope”, enquanto “Landings” relembra as velhas cerimónias rítmicas de “3 Field Rotation” e “Tonality” presta uma engraçada vassalagem aos OMD. Não podia ser mais pós-rock esta massagem sónica que os Füxa nos oferecem com a candura de quem sabe retirar o máximo prazer do som.

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