The Residents – Wormwood

16.10.1998
The Residents
Wormwood (6)
Euro Ralph, distri. Symbiose

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A originalidade dos Residents residiu desde sempre na ambiguidade da sua relação com o mito e com o tabu. Mantendo o anonimato desde o início da sua formação, em meados dos anos 70, a banda de São Francisco criou o seu próprio mito, ao impor o mistério como imagem e forma de projecção mediática. Por outro lado, toda a sua obra tem evoluído em torno da sabotagem de alguns mitos e tabus, musicais e civilazacionais, do nosso tempo. Assim, os ícones musicais – os Beatles (em “meet the Residents”), Elvis Presley (em “Elvis and Eye”) ou alguns compositortes americanos, como Gershwin e James Brown (na série, inacabada, de “American Composers”) – juntam-se os temas do nazismo (“The Third Reich’n’Roll”), da morte (“Eskimo”) e, agora, de deus e da religião cristã, sistematicamente virados do avesso e esvaziados de sentido. O mesmo trabalho de sapa das toupeiras que escavam e minam as fundações da civilização humana na trilogia iniciada com “Mark of the Mole”. Mas a diferença que conservava os Residents na corrida pelo troféu de “banda mais bizarra”, contra os seus compatriotas Negativland e Biota, cessou a partir do momento em que o grupo cristalizou numa estética que, nos últimos anos, de álbum para álbum, se fixou numa série de lugares-comuns, do desenho das capas a uma utilização da electrónica cada vez mais comercial e imediatista. “Wormwood”, ao pretender ironizar, a partir de textos da Bíblia, sobre os pilares do cristianismo, desmontando-os através da racionalização pelo absurdo, se representa, sem dúvida, uma continuação coerente de toda a obra passada, acaba, no entanto, por falhar, e a estratégia arrasta consigo os próprios Residents, que aqui se reduzem à dimensão de um desenho animado.

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