Page & Plant – Walking Into Clarksdale

03.04.1998
The Song Remains The Same
Page & Plant
Walking Into Clarksdale (7)
Fontana, distri. Polygram

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“When the world was young”, segundo tema de “Walking Into Clarksdale”, é um momento de pura nostalgia que evoca uma época, o final dos anos 60, que Jimmy Page e Robert Plant recordam como a mais criativa do rock. É toda uma construção em suspensão que se inicia em tons acústicos de “folk rock” psicadélico para logo disparar num galope de “hard rock” que nos atira direitinho para álbuns como “Led Zeppelin III” e “houses of the Holy”. Por mais que os dois músicos se queiram demarcar da lendária banda à qual pertenceram – e não é líquido que o queiram… -, pertencia-lhes a quota maior de responsabilidade na sonoridade dos Led Zeppelin e isso reflecte-se nas composições. É óbvio que a voz de Robert Plant não atinge já o mesmo falsete nos limites dos agudos que conseguia no grupo, mas a sua expressividade e estilo inconfundíveis não se perderam. A guitarra de Page, essa não envelheceu um segundo, continuando tão acutilante, e agora mais do que nunca receptiva a linguagens musicais mais suaves, co o em “Blue Train”, “house of Love” ou “Heart in your hand”, plena das reverberações típicas da “surf music” de Dick Dale com os Ventures. Descontando a inclusão, nalguns temas, de um veludo orquestral digno dos Moody Blues, o tom de exotismo está presente na etnotecno, em versão arabizante, de “Most High” – o tal tema com a presença de um dos músicos dos Transglobal Underground, “mestre do teclado oriental”. “Burning Up”, “When I Was a Child” e “Sons of freddom”, os três últimos temas, estão mais saturados de electricidade e de memórias zeppelinianas, orgulhosamente de costas para as tendências musicais em voga. Jimmy Page e Robert Plant representam algo na história do rock, e é essa presença única que fazem questão de demonstrar que não está morta. Mudam-se os tempos, mas “the song remains the same”…

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