Ozric Tentacles – Curious Corn

20.02.1998
Ozric Tentacles
Curious Corn (6)
Snapper Music, import. Planeta Rock

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Tecno mais psicadelia, dois dedos de Gong mais três de Hawkwind, um charro de meio metro e uma entrada na discoteca a ver estrelinhas. A fórmula dos Ozric Tentacles permanece inalterável desde os tempos em que engrossavam a sua discografia à custa de cassetes coloridas. Numa primeira audição, a música do grupo deixa uma sensação agradável, através de uma sucessão, inavriavelmente acelerada, de “beats” sintéticos pontuados por solos pseudopsicadélicos de guitarra e solos de percussão ritual. Nota-se o cuidado com o som, a articulação de ritmos e timbres polidos que procuram reproduzir a nostalgia do analógico e de sequenciações requentadas no fogão dos Tangerine Dream. Mas é só fumaça. A imaginação é escassa e percebe-se que durante 95 por cento do tempo os Ozric vão com o piloto automático ligado. Os épicos de ficção científica que os Hawkwind faziam correr pelo espaço sideral com músculo, suor e ácido e as fábulas de “nonsense” psicótico que os Gong inventavam no espaço cerebral com pele, saliva e chá de haxixe, são mimados pelos Ozric Tentacles com pinças e muitos botõezinhos coloridos. “Curious corn”, embalado nos já habituais desenhos de um Roger Dean ressacado e ostentando no título a também já habitual fixação pelos cereais, descola na superfície mas afunda-se nas profundidades. Não é carne nem peixe, nem passadista nem futurista, mas uma manta de retalhos que, de tanto se ter depurado, acabou por criar a ilusão de um estilo original. “Curious Corn” até é melhor que o álbum anterior, recuperando alguma da mística do período das cassetes.

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