Wim Mertens – Best Of

30.01.1998
Wim Mertens
Best Of (7)
Les Disques Du Crépuscule

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“O melhor de…” aplicado a Wim Mertens expressa um dos lados de uma dicotomia enraizada no âmago da música deste compositor belga, falso minimalista, comprometido entre um vanguardismo nos limites d perceptibilidade e um “easy listening” neoclássico chique que o coloca, hoje, confortavelmente ao lado de Michael Nyman, no topo das preferências de uma burguesia bem pensante para quem o conceito de novo estagnou numa mesa de café do Bairro Alto. Este “Best of” privilegia, obviamente, não solos de fagote com meia hora de duração, mas o lado mais melodioso de Mertens, o das pianadas idílicas com base na matemática das emoções, como “Humility” e “Iris”, assim como o tom de música de câmara dos Soft Veredict (“Struggle for Pleasure”, Maximizing The Audience”, dois títulos-temas dos respectivos álbuns, aqui incluídos) ou o diálogo pianístico a quatro mãos, o mais próximo de uma lógica verdadeiramente minimalista, de “4 mains”. A inclusão de um tema inédito, “Hors-nature”, acentua o lado melodioso desta colectânea, o qual, como quase toda a produção recente do músico, oscila entre uma beleza de desarmante simplicidade e um decorativismo a roçar o enjoativo. O último tema, “The scene”, um curto apontamento retirado do álbum mais antigo de Mertens (“Sin Embargo”), agora reeditado em CD pela primeira vez, contém em si próprio a essência do paradoxo: sobre um dedilhado de principiante numa guitarra acústica o jovem Mertens assobia uma melodia pueril. Belo e ridículo. Mas sempre preferível a ouvi-lo cantar.

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