Barbara Manning – 1212

19.09.1997
Barbara Manning
1212 (7)
Matador, distri. MVM

barbaramanning_1212

Pouco conhecida entre nós, Barbara Manning goza, lá fora, do epíteto de “rainha da música alternativa”, conquistada à custa de uma carreira subida a pulso que passou pelos grupos San Francisco Seals (SF Seals) e World Of Pooh e agora se concretiza no seu primeiro álbum em nome próprio para o selo Matador. “1212”, intitulado a partir da data de nascimento da cantora (12 de Dezembro), conta com a participação de Joey Burns e John Convertino, a secção rítmica dos Giant Sand e, em “Trapped”, com a produção de um dos papas do pós-rock, Jim O’Rourke. Estamos perante uma compositora de talento ainda não maculada pelas pressões do “show business”. Barbara define-se como “guardiã” das suas canções. “Considero-me a sua mamã”. Embora a cantora não goste que a comparem a Liz Phair, isso não impede que nos lembremos da autora de “Whip Smart” ao escutarmos um tema como “Evil Craves Attention”, uma das várias partes da longa “suite” de abertura de “1212”, “The arsionist story”, metáfora sobre a inocência e a culpa através das fixações de um adolescente pirómano. É o trabalho de uma sensibilidade inquieta que não descura o pormenor e a originalidade da composição, presente num piano de boneca, numa marimba ou em efeitos electrónicos dispersos, como cacos de vidro entre versos que roçam a loucura (em “the arsionist” tudo termina literalmente em chamas…). A segunda parte de “1212” inclui versões de canções de Richard Thompson (“End of the Rainbow”, uma das mais cruas deste autor), Bevis Frond, The Deviants e… Amon Düül, numa colecção de cromos que, curiosamente, colam bem numa caderneta pop.

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