Pascal Comelade – Zumzum-Ka

15.01.1999
Pascal Comelade
Zumzum-Ka (8)
G3G, Distri. Ananana


pc

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“Zumzum” é a onomatopeia em catalão utilizada para descrever o ruído de um enxame de abelhas ou de uma multidão de gente. “Ka” é a letra “K”, a letra “caminhante”, a “lâmina que corta em todas as direcções”. “K” de Kafka, Kandinsky, Klee e Kantor. “Zumzum-Ka” é ainda “uma provocação à imaginação, mais do que um sentimento realista”. Nem outra seria de esperar de mais um álbum de Pascal Comelade, mestre do onirismo e da música de brinquedos. Encomendado pela Companhia de Dança Gelabert – Azzopardi, dirigida por Gesc Gelabert, “Zumzum-Ka” explora o lado mais trágico e evocativo do músico francês, em peças impressionistas em que estão uma vez mais presentes os sons infantis, lado a lado com o piano de cauda e sopros de salão, num baile hermético onde Satie dança o tango e ese arrastam espectros de mil e uma paixões fatais. O diabo sopra uma corneta, o casino fechou as portas, o mar povoa-se de visões de ópio e absinto, véus árabes, remendos minimalistas, valsas de pé-quebrado e rock sem roll preenchem o imaginário de “Zumzum-Ka”, um dos álbuns mais densamente povoados de fantasmas de toda a discografia de Comelade. O saxofone gutural de Jakob Draminsky traz ressonâncias de circo a uma das duas “peças curtas” do disco, enquanto os quase 14 minutos do título-tema – uma sinfonia de relógios e martelos de piano, tão asfixiante como uma emissão de ruído dos Faust – enveredam pela alameda do experimentalismo, como não acontecia já desde “Détail Monochrome”, um álbum nunca editado em compacto.

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