Arquivo mensal: Outubro 2018

Vários – “La Chanson, Mais Oui!” La Musique A Une Histoire – Anthologie (artigo de opinião / fetiche / coisas que seduzem)

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28 Novembro 2003
fetiche
coisas que seduzem


la chanson
mais oui!



Paris. O Sena. Acordeões, lenços e boinas. A guerra. Amor louco. E canções. Chansons. La chanson française, sem tradução, toda uma ressonância inconfundível que remete para um estilo e uma época da música popular francesa que ainda hoje faz estremecer o nosso imaginário. A presente antologia reúne até à data três volumes, cada qual composto por três CD, correspondentes, respectivamente, a Serge Gainsbourg, Georges Brassens e Serge Reggiani, nomes incontornáveis. Gainsbourg, das visões fumarentas e etílicas, de “La javanaise”, “L’alcool”, “Ballade pour Melody Nelson”, “La decadanse”, “Bonnie and Clyde e “Je t’aime, mon non plus”, aqui em duo com Bardot. Brassens, de “la mauvaise réputation”, “Le gorille” e “Brave Margot”. Reggiani, emigrado italiano, comediante e pintor, intérprete de Boris Vian, de “Et puis”, “Rupture” e “Le Deserteur”. A história da música popular, dita pop, escrita a fogo num hexágono a Sul da Mancha. Mais oui!

La musique a une histoire – anthologie, caixas 3xCD; Ed. Universal. €34,50

King Crimson – “Uma Máquina Em Actividade” (artigo de opinião / DVD / Fetiche / Coisas Que Seduzem)

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28 Novembro 2003


fetiche
coisas que seduzem

king crimson
uma máquina em atividade



Através das metamorfoses por que passaram ao longo de 35 anos, permanecem como uma das mais formidáveis máquinas em actividade. “Eyes Wide Open” mostra o grupo em ação no Shepherds Bush Empire, Londres, em 2000 (DVD 2), e no Japão, em 2003 (DVD 1), sob a supervisão de Robert Fripp. Considerando que no caso dos Crimson não existem duas interpretações iguais, o DVD apresenta a inovação de enxertar aleatoriamente em cada leitura, diferentes improvisações do mesmo tema, o que permite perceber a incrível criatividade dos executantes em palco, além de Fripp, Adrian Belew, Trey Gun e Pat Mastelotto. Visualmente sem grandes atrativos, “Eyes Wide Open” vale pela música extraordinária, exercício de disciplina e poder para uma arquitetura sonora que não admite falhas. Fripp, apesar do terror recente em se deixar fotografar (talvez sugestionado por superstições que garantem que fotografar alguém é ter domínio sobre a sua alma) aparece como uma estátua que não deixa transparecer a menor emoção. E, no entanto, a música que escorre, como lava, da sua guitarra é vital como o fluxo sanguíneo. O duplo alinhamento inclui temas como “The power to believe”, “The construkction of light”, “Happy with what you have to be Happy with”, “Elektrik”, “Larks’ tongues in aspic: part IV”, “Three of a perfect pair” e uma versão de “Heroes”, de Brian Eno e David Bowie.

King Crimson, Eyes Wide Open, Sanctuary, DVD Zona 2, distri. Som Livre. €25



Motorhead – “Estes Homens Vão Comer O Teu Cérebro” (artigo de opinião / box / fetiche / coisas que seduzem)

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14 Novembro 2003
fetiche
coisas que seduzem


motorhead
estes homens vão comer o teu cérebro



A sensação mais parecida com um motor de altas rotações a trabalhar dentro da cabeça é ouvir um disco dos Motorhead. Para os “headbangers” de alma e coração a edição da mais recente antologia do grupo, “Stone Deaf Forever!”, caixa com cinco CDs (incluindo 19 inéditos), livrete de 60 páginas com fotos raras e “memorabilia” e “poster” original, é o paraíso da dor e do prazer. Para os não-incondicionais da banda será um teste à resistência e um convite à loucura. A banda de Lemmy (Ian Lemmy” Kileminster), baixista forçado a abandonar os Hawkwind, na sequência de prisão por posse de drogas, durante uma digressão no Canadá, não perdoa. Não dá descanso ao corpo nem aos ouvidos, tocando forte, depressa e alto, até à aniquilação total, temas com título tão sugestivos como “Sacrifice”, “Sex and death”, “Built for speed”, “Orgasmatron” e “Born to raise hell”. Fica o aviso, afi xado algures: “Estes homens vão comer o teu cérebro, despedaçar o teu crânio, reduzir-te a um destroço trémulo e balbuciante. Estes homens são os…Motorhead”. Parece bem.

“Motorhead-Stone Deaf Forever”; Ed. Sanctuary, 56€