Arquivo mensal: Março 2017

The Cast – “The Winnowing”

Pop Rock

5 Fevereiro 1997
world

The Cast
The Winnowing
CULBURNIE, DISTRI. MC – MUNDO DA CANÇÃO


cast

The Cast é um duo formado por Mairi Campbell, voz, viola de arco e rabeca, e Dave Francis, guitarra e voz. Com o convidado Brian Shiels, no contrabaixo. Para eles é tudo uma questão de amor e de entrega. Tocam os “reels” devagar e cantam, em lugares recolhidos, temas de Robert Burns ou “standards” como “Flowers o’ the forest” (mais soturno do que nunca, na voz de Francis) e “Kilkelly”. A voz de Mairi é, das suas, a mais original, exótica em “The step-dancing song”, “jazzy” em “Green grow the rashes”, densa e solene, em “Kilkelly”. Ela e Francis terminam em beleza, com “The royal visit”, flutuando nos mesmos sonhos dos menosprezados Dando Shaft. Vale a pena fazer uma pausa nos épicos e saborear as flores de perfume rarefeito como esta. Uma outra Irlanda, mais difusa, revela-se nas curvas dos seus caminhos menos frequentados. (7)



Share and Enjoy !

0Shares
0 0 0

Durindaina – “Durindaina”

Pop Rock

5 Fevereiro 1997
world

Durindaina
Durindaina
DISCMEDI, IMPORT. DISC 3


dur

Dois Pasodobles, três muiñeiras, uma valsa, uma mazurca, uma foliada, uma rumba, um fox-trot e uma jota. A ocasião é de baile, como se vê. Festa rija, pelos Durindaina, quinteto galego apostado em lutar contra a “massificação, a uniformidade homogenizante e o individualismo” que os tempos atuais fomentam na Galiza. Em conformidade, evocam-se as “entranhas mais profundas” da terra e os locais onde aquelas danças “fluíam com mais força, como a água de uma corrente”. Que “ninguém permaneça, então, com os pés quietos” é o conselho dado pelo grupo. As gaitas de foles de Guancho, Luis Mouriño e Camilo Regueiro comandam a dança, suportadas pelas percussões ou no “tapete” harmónico do acordeão, com ocasionais intromissões solistas da requinta e do clarinete. “Asen”, a foliada, pertencente ao reportório comum a todos os grupos de “gaitas” de Compostela, é o único tema vocalizado, funcionando como uma espécie de separador inserido a meio do álbum. O som é cheio e vivo, fruto de uma produção esmerada, e a diversidade de andamentos dá garantias de que o baile não se desmancha até final. Música, pois, sem quaisquer propósitos de inovação mas que cumpre maravilhosamente a função de que está imbuída. Para todos os “galeguistas” ferrenhos, é um álbum a não perder. (8)

Share and Enjoy !

0Shares
0 0 0

Arlo Bigazzi – “Polvere Nella Mente”

Pop Rock

29 Janeiro 1997
poprock

Arlo Bigazzi
Polvere Nella Mente
MATERIALI SONORI, DISTRI. MEGAMÚSICA


ab

A atividade editorial da italiana Materiali Sonori tem-se repartido pela reedição do Progressivo, dos anos 70 (Embryo, Third Ear Band), 80 (Arturo Stalteri, Tuxedomoon, Cüdü) e 90 (Nicola Alesini com Pier-Luigi Andreone), trabalhos conceptuais com dedicatória (a Frank Zappa e Nino Rota, por exemplo) e pelas margens do ambiental (Roger Eno). Com menos projeção mediática mas, quase sempre, bem mais interessantes do ponto de vista artístico, estão diversos álbuns por músicos italianos em áreas de catalogação difusa, nas margens da fusão, do ambienta, do jazz, da música improvisada e da contemporânea. Arlo Bigazzi, manipulador de samplers e mesa de mistura e produtor da maioria destes trabalhos, revela em “Polvere Nella Mente” as suas conceções próprias. Para tal, convocou para este disco cinco guitarristas, entre os quais Paolo Lotti (autor de um interessantíssimo álbum de guitarra solo, com o título “Nuda Soliotudine”) e Fabio Capanni, o percussionista Bebo Baldan, o pianista Arturo Stalteri, entre outros. Apesar das conotações subversivas do título, “Polvere Nella Mente” pretende ser uma recriação original da música nativa de vários povos da América mas fica-se por uma sucessão, por vezes monótona, de combinações instrumentais pachorrentas, nas quais cada instrumentista parece estar a fazer o trabalho de casa. Vêm ao espírito paisagens de colorido semelhante, de Benjamin Lew, Hector Zazou ou Peter Principle, mas a amplitude de visão proporcionada por este italiano é de bastante menor alcance. Interessante mas académico em demasia. (6)

Share and Enjoy !

0Shares
0 0 0