Arquivo mensal: Agosto 2016

Peter Hammill – “X My Heart”

Pop Rock

3 de Abril de 1996
Álbuns poprock

Peter Hammill
X my Heart
FIE, IMPORT. LOJAS VALENTIM DE CARVALHO


ph

Não há um acorde inovador, um arranjo que obrigue a carregar no “repeat”, uma letra que dê a conhecer novos recantos da mente, nem sequer um músico diferente. E, no entanto, voltamos uma e outra e outra vez a ouvir e a comprar “o último Peter Hammill”. Sabe-se que, nunca mais desde “A Black Box”, o ex-líder dos Van der Graaf Generator voltou a gravar álbuns com a grandiosidade de “The Silent Corner and the Empty Stage”, “The Future Now” ou o genial “In Camera”. Talvez a idade, talvez um certo cansaço de permanecer eternamente nas preferências exclusivas de uma (larga) minoria, a verdade é que Hammill criou um nicho e aí se deixou ficar, lançando com regularidade no mercado álbuns que parecem não arranjar outro espaço senão aquele que tem reservado nas estantes dos incondicionais da sua obra. “X my Heart”, um achado no título e na apresentação, recupera a mesma fórmula dos últimos anos, mais próximo de “Fireships” que do anterior “Roaring Forties”, alternando baladas intimistas, no embalo de um piano de toque cada vez mais delicado, com sequências de maior energia, em que o saxofone do seu companheiro de sempre, David Jackson, transporta reminiscências do antigo som de grupo. Ao nível dos poemas, Hammill continua a debater-se com a problemática do Tempo, numa procura desesperada de um sentido e de uma serenidade sempre precários, aqui enunciados com a indiferença apaixonada de um mestre zen, no tema que abre e fecha este coração em chaga, “A better time”. Na primeira versão, elevando-se em arco na religiosidade de uma vocalização “a capella”. O velho Narciso, ainda e sempre, encarando de frente o espelho. (8)



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O Yuki Conjugate – “Sunchemical”

Pop Rock

3 de Abril de 1996
Álbuns poprock

O Yuki Conjugate
Sunchemical
STAALPLAAT, IMPORT. SYMBIOSE


oyc

Para os apreciadores da música electro-ritual dos O Yuki, registada em álbuns como “Into Dark Water”, “Peyote” e “Equator”, este novo registo terá uma aceitação menos pacífica. O lado ambiental, alucinatório, característico daqueles trabalhos, embora ainda presente, fez contudo algumas cedências a batidas dançáveis, o que não admira quando se consulta a ficha técnica e aí se percebe que todos os temas foram sujeitos a misturas efectuadas por DJ. Dos seis temas, correspondentes a elementos químicos, “Californium” refracta os estertores da tecno e “Carbon” safa-se à tangente de cair na “etno vocês sabem o quê”, enquanto a massa sonora restante de “Sunchemical” devolve a química habitual dos O Yuki Conjugate – uma música de hipnose praticada na sombra que um apresentador virtual define, no início de “Sulphur”, como “abstracta”, “atmosférica” e “expressiva”. (7)



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Fátima Miranda – “Concierto en Canto”

Pop Rock

3 de Abril de 1996
Álbuns poprock

Fátima Miranda
Concierto en Canto
HYADES ARTS, IMPORT. ANANANA


fm

Esqueçam Meredith Monk, esqueçam Shelley Hirsch, esqueçam Joan LaBarbara. Nenhuma foi tão longe nem tão fundo na exploração da voz humana como Fátima Miranda. “Concierto en Canto”, objecto exemplar de uma editora espanhola especializada na edição de obras incatalogáveis do universo das “novas músicas”, é uma experiência avassaladora que – fica o aviso – poderá assustar os menos avessos a explorações pelos confins da galáxia musical. Quando um dos textos do livrete apresenta a voz desta natural de Salamanca como “infinita”, não está a exagerar. Os agudos a que se eleva em “Alankara skin”, dispensando quaisquer truques de produção ou manipulação electrónica, são simplesmente sobrenaturais. Fátima, elemento preponderante do colectivo Taller de Música Mundana, estudou “bel canto”, técnicas vocais japonesas, indianas e do flamenco e canto difónico mongol, tudo aqui aplicado num assombroso mergulho em que a vanguarda coincide com a fonte primordial dos sons. Música celeste e dos abismos, perigosa, na medida em que obriga a viajar até aos extremos da interioridade, “Concierto en Canto” possui aquela qualidade que obriga quem a ouve à ascese ou à perdição. Das sobreposições fonéticas desenvolvidas “ad infinitum” sobre uma frase simples, de “El Principio del fin” (um dos dois temas que recorre ao “overdubbing”), à alma cantando em discurso directo, na experimentação dos seus limites e das suas respirações, desprende-se deste encantamento a transcendência que caracteriza as obras-primas. (10)


Fátima Miranda-Concierto en Canto (28''54' Resumen del Concierto) from Fátima Miranda on Vimeo.

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