Arquivo mensal: Dezembro 2015

Andy M. Stewart – “The Man in the Moon”

Pop Rock

7 Dezembro de 1994
WORLD

Andy M. Stewart
The Man in the Moon

Green Linnet, distri. MC-Mundo da Canção


andy

Há quem embirre com o vocalista dos Sillty Wizard e quem o considere um dos maiores cantores tradicionais escoceses vivos. Por mim, reconheço a originalidade do timbre e a “correcção” das ornamentações da sua voz. Mas é verdade que prefiro ouvi-lo integrado em grupo que entregue a si próprio, mesmo em projectos de maior envergadura, como no seu ciclo de canções de Robert Burns. “The Man in the Moon” é um álbum “clássico”, tranquilo, composto na maioria por baladas lentas, terreno onde a voz do cantor se sente mais à vontade. A canção política faz-se representar pelo ataque à classe política lançado em “Listen to the people”, composto pelo próprio Stewart, como todos os temas do álbum. (7)



Taraf de Haidouks – “Honourable Brigands, Magic Horses and Evil Eye”

Pop Rock

16 de Novembro de 1994
WORLD

Taraf de Haidouks
Honourable Brigands, Magic Horses and Evil Eye

Cramworld, distri. Megamúsica


th

Volume segundo de “Musique des Tziganes de Roumanie”, a nova colecção de canções de camponeses, lamentos, romances, danças e canções de casamento, prisão ou simplesmente uma “canção cigana para ser ouvida”, interpretada por músicos de três gerações de músicos ciganos da Roménia traz de regresso a magia e o tecnicismo impressionante destes “patifes” que o público português pôde presenciar ao vivo nos Encontros Musicais da Tradição Europeia deste ano. Música perene, transmitida de pais para filhos ao longo dos séculos, é a prova viva de um amor que na tradição cigana insiste em não morrer, mantido por sucessivas gerações de “lautari” (músico profissional cuja principal qualificação deverá ser a capacidade de improvisação) que adaptam, sem o trair, o estilo antigo aos arranjos actuais. O livrete apresenta excertos de diálogos entre vários elementos do grupo, sobre este (a coexistência entre o velho e o novo estilo) e outros temas como o casamento, o significado das baladas ou dos lamentos na canção cigana ou ainda sobre o ensino do violino aos jovens, de que não resistimos a transcrever uma parte. Diz Neascu, um dos anciãos do grupo a outro mais novo, que por sua vez se interroga sobre como ensinar o filho a tornar-se um “virtuose” no violino: “Neste ofício [de violinista], não se aprende, rouba-se! Um verdadeiro ‘lautari’ é aquele que, quando ouve uma canção, vai a correr para casa reproduzi-la de memória. Quem toca uma canção certamente não a vai ensinar. Sim, um violino é leve nas mãos mas pesado de aprender. Como a matemática!” (9)



Lena Willemark & Ale Mӧller – “Nordan”

Pop Rock

16 de Novembro de 1994
WORLD

Lena Willemark & Ale Mӧller
Nordan

ECM, distri. Dargil


lw

Lançado no mercado nacional na mesma altura que o novo dos Hedningarna, “Nordan” corre o risco de passar despercebido, o que seria injusto. Os nomes de Lena Willemark e Ale Mӧller já eram conhecidos – suspeita-se que por muito poucos – através do álbum excelente que gravaram juntamente com Per Gudmundson, “Frifot”, surgido no ano passado em quantidades reduzidas nos escaparates e que nesta secção foi na altura devidamente enaltecido.
A música destes suecos não passou despercebida a Manfred Eicher que, desde a edição de “Rosensfole”, de Jan Garbarek com a cantora Agnes Buen Garnas, não tem perdido de vista a música tradicional oriunda da Escandinávia. Em “Nordan” – primeira surpresa –, um dos percussionistas presentes é Björn Tollin, dos Hedningarna, que aqui, ao contrário do que acontece na sua banda, não se revela pela força mas antes pela subtileza. Baseada em baladas medievais e canções folk da tradição sueca, a par de composições originais de Ale Mӧller, a música de “Nordan” confirma a enorme beleza expressiva da voz de Lena Willemark – mais solta e enleante que as de Agnes Buen Garnas – e os talentos, como arranjador e multinstrumentista (mandola, flautas, harpa, “shawwm” ou bombarda medieval, trompa, saltério e acordeão) de Ale Mӧller, num disco que conta ainda com as presenças do “habitué” da ECM, Palle Danielsson, no contrabaixo, Mats Edén, nas “drones” de violino e “kantele” (saltério escandinavo), por Gudmundson (violino e gaita-de-foles sueca), Tina Johansson (percussão) e Jonas Knutson (saxofone e percussão), além do já citado elemento dos Hedningarna.
Os únicos reparos, de ordem subjectiva, poderão ir apenas para a produção, que para alguns poderá soar demasiado límpida, ou para as entradas “Garbarekianas” do saxofone, características de resto difíceis de eliminar num disco da ECM. “Nordan” tem a serenidade que falta a “Trä” e é o álbum ideal para complementar a loucura dos Hedningarna. E, já agora, é superior a “Rosensfole”. (9)