Arquivo mensal: Dezembro 2009

Jim Avignon’s Neoangin – A Friendly Dog In Na Unfriendly World

11.05.2001
Jim Avignon’s Neoangin
A Friendly Dog In Na Unfriendly World
Wonder, distri. MVM
7/10

neoangin

LINK

Jim Avignon é um artista multimédia residente em Berlim a quem já chamaram “o homem que pinta com um gira-discos” e “O Ticiano da tecno”. “A Friendly dog…” é o terceiro álbum do seu projecto Neoangin e o mínimo que se pode dizer dele é que consegue ser pop sem perder o fascínio e o gosto pelo risco. Pop electrónica onde as ondas de vibrafone e arquivos marados de um órgão Hammond se baralham, numa brincadeira constante com o estúdio. Umas vezes parece o ska dos Madness, noutras uns Shadows aos quais tivessem oferecido um sintetizador; há canções que lembram os Stranglers das melodias malsã, enquanto outras se caracterizam pela rítmica “Residents no jardim infantl2 dos Der Plan ou se medem pela nostalgia recente dos Dakota Oak. Ao todo, 33 canções onde a alegria, a luz e o prazer do som artesanal se confundem, tão deliciosas como as gravuras/cartoons do “booklet”.

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Maddy Prior – Arthur The King

11.05.2001
Maddy Prior
Arthur The King
Park, distri. Megamúsica
7/10

maddyprior_arthurtheking

LINK (“Changing Winds”)

O tema do rei Artur e dos cavaleiros da Távola Redonda tornou-se sinónimo de um celtismo “new age” sem outra função senão servir de sedativo. Maddy Prior teve a coragem de retomar a temática do lendário cavaleiro inglês, dedicando-lhe uma suite inteira, reservando o restante espaço para “standards” como “Reynardine” e “Lark in the morning”. Quanto ao tema do rei, profusamente analisado à luz de simbolismos vários, insere-se na mesma linha do folk progressivo que os Steeleye Span cultivaram na fase mais recente da sua discografia, com a voz de Maddy multiplicada em polifonias, a electrónica a sobrepor-se às “uillean pipes” de Troy Donockley e a “new age”, da marca Hearts of Space, a aflorar perigosamente nos diversos interlúdios sobre o Graal intitulados “Hallows”. Não é Enya, mas também não faz esquecer o igualmente conceptual “Year”.

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La Düsseldorf – La Düsseldorf (conj.)

16.06.1997
Missa nos Claustros de Düsseldorf

Kluster
Eruption (7)
MARGINAL TALENT, DISTRI. SYMBIOSE
Dunkelziffer
In The Night (7)
Dunkelziffer III (7)
FUNF UND VIERZIG, DISTRI. MEGAMÚSICA

La Düsseldorf
La Düsseldorf (8)
GERMANOFON, IMPORT. CARBONO

ladusseldorf_ladusseldorf

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Yatha Sidhra
A Meditation Mass (7)
TEMPEL, IMPORT. PLANETA ROCK


“Kluster und Eruption”, gravado 25 anos antes, em 1971, é uma obra rodeada de alguma controvérsia. Embora na ficha técnica conste o nome de Kluster, é opinião corrente que o disco (com a indicação de ter sido gravado ao vivo) é na realidade o resultado da manipulação, por Conrad Schnitzler, de fitas do grupo gravadas previamente. Seja como for, não se está longe da sonoridade dos dois primeiros trabalhos dos Kluster, atrás citados. São 56 minutos (separados em dois temas sem título) de ruído, ou melhor, de “elektroakustische Musik”, que se acompanham como a um corpo sinistrado. Ruído sim, mas do bom e genuinamente revolucionário.
Os Dunkelziffer existiram nos anos 80, podendo ser considerados “clones” dos Can, o que se compreende, atendendo a que da sua formação fazem parte o vocalista japonês Damo Suzuki, que integrou os Can, nos álbuns “Soundtracks”, “Tago Mago”, “Ege Bamyasi” e “Future Days”, e elementos dos Phantom Band, banda do baterista dos Can, Jaki Liebezeit. Nos Dunkelziffer é tudo mais leve e menos profundo do que nos Can. a batida é semelhante mas nota-se uma tendência para o “jazz rock”, relacionada com a preponderância no som do grupo do saxofonista Wolfgang Schubert. Damo Suzuki também se mostra bastante mais comedido, enquadrando a sua voz num formato de canção, o que raramente fazia nos Can. É a diferença entre a improvisação orgância e mágica dos originais e a composição planeada dos Dunkelziffer.
“In The Night” é mais calmo, com incursões no reggae e na música árabe (“Orientsal Cafe”) e um tema inicial longo, “Retrospection”, na linha da música produzida pela banda de Irin Schmidt e Bruno Spoerri, os Toy Planet. “Dunkelziffer III”, editado a seguir (terceiro de uma discografia total de cinco álbuns), tem maior consitência e é ainda mais parecido com os Can. O ritmo adensa-se, Suzuki arrisca chegar ao registo gutural que usava nos Can, os teclados e o saxofone dispensam a facilidade e a beleza, por vezes fútil, do álbum anterior. Um bom sucedâneo dos resi de Colónia.
Os La Düsseldorf, trio liderado pelo dissidente dos Neu!, Klaus Dinger, conseguiram criar, com o seu álbum homónimo de estreia, um clássico do “krautrock”. Protótipo do rock minimal, influenciou irectamente o punk rock e, duas décadas mais tarde, o pós-rock. A electrónica rodava numa pista de corridas, as guitarras e a bateria metronómica funcionavam com a precisão de um motor. A música dos La Düsseldorf fez divergir a mecânica futurista dos Kraftwerk para o terreno duro de uma cidade, Düsseldorf, hipnotizada pela sua própria paranóia.
O oposto aplica-se aos Yatha Sidhra, com “A Meditation Mass”, de 1973, filho único de um projecto idealizado pelo multinstrumentista Rolf Fichter (“Moog”, flauta indiana, vibrafone, piano eléctrico, guitarra eléctrica, voz) com o seu irmão Klaus (bateria e percussão), cuja música é típica da vertente mais cósmica do “krautrock”. Considerado por alguns uma das obras-primas da “kosmische musik”, entre os quais os autores da enciclopédia “A Crack In The Cosmic Eye”, “A Meditation Mass” é uma suite dividida em quatro movimentos que cativa enquanto o grupo se mantém fiel à electrónica planante, de pendor místico, à la Popol Vuh, mas se torna penosamente embaraçosa quando Rof Fichter decide que também sabe tocar jazz e solar no vibrafone e no piano eléctrico.
De rsto, os jovens “krautrockers” era, regra geral, executantes com óbvias limitações (e, amiúde, inaptos para dominar o mais simples 4/4, fruto da tal falta de convívio com as raízes negras do rock’n’roll), embora óptimos conceptualistas e manipuladores de som, quando se tratava de disparar automatismos (Kraftwerk, Tangerine Dream pós “Phaedra”, Cluster, …).
Exemplos não faltam, inclusive em obras e autores considerados marcantes. Veja-se os casos dos Tangerine Dream e do Edgar Froese guitarrista, antes de optarem pela electrónica total, do Klaus Schulze baterista, dos Mythos, dos próprios Faust… Há excepções, claro: Manuel Göttsching (apesar do ácido…), Michael Rother, Achim Reichel, Ax Genrich (o Hendrix alemão), Michael Karoli, Jaki Liebzeit, Jürgen Dollase, Uli Trepte, Mani Neumeier…
Apesar desta lacuna, “A Meditation Mass” conserva uma aura indefinível e uma originalidade que a faz atravessar relativamente incólume a passagem do tempo. Ao Planeta Rock, especializado na área do progressivo, chegaram também – em quantidfade reduzida – “Malesch” e “2nd”, dos Agitation Free, “Traum”, dos Hölderlin, “Broselmaschine”, dos Broselmaschine, “Saat”, dos Emtidi, “UFO” e “Hinten”, dos Guru Guru, “Trauma”, dos Gomorrha, “Motherfucker gmbh”, dos Xhol, “Schwingungen” e “Le Berceau de Cristal”, dos Ash Ra Tempel, “Irrlicht”, “Cyborg” e “Picture Music”, de Klaus Schulze, e toda a discografia – historicamente importante mas musicalmente irrelevante – dos Amon Düül (com pouco ou nada a ver, em termos musicais, com os Amon Düül II…). Enquanto isto, a Torpedo prepara-se para receber Whithuser & Westrupp, Harmonia e Liliental. A MVM, a Música Alternativa e a Megastore da Valentim de Carvalho começam a disseminar os discos e a mensagem do pós-rock, dignos continuadores do experimentalismo e da atitude do “krautrock”. A propósito: se gostam dos Neu! e acham, como nós, que “Surrender To The Night”, dos Trans AM, é uma das obras-chave do movimento, comecem, desde já, a procurar o “álbum branco” dos Fridge. E a procissão ainda vai no adro…

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