Arquivo da Categoria: Colectânea

Joan Armatrading – “The Very Best Of…”

Pop-Rock / Quarta-Feira, 17.04.1991 – Colectâneas e Reedições


JOAN ARMATRADING
The Very Best Of…
LP e CD, A&M, distri. Polygram



Joan Armatrading pertence àquela categoria desmoralizadora das eternas candidatas à primeira divisão dos compositores / intérpretes, a quem sempre faltou apenas o definitivo golpe de asa para se elevarem ao cume do estrelato. Os discos chegam, esforçados, ao Top, mas sem lograrem atingir os lugares cimeiros. Mesmo assim. “The Key” ainda conseguiu à justa chegar ao número dez. A presente colectânea abrange o período compreendido entre 1976 e 1988 e os álbuns “Joan Armatrading” (1976), “Show Some Emotion” (1977), “To The Limit” (1978), “Me Myself” (1980), “Walk Under Ladders” (1981), “The Key” (1983) e “The Shouting Stage” (1988), para além de uma remistura, já deste ano, de “Love and Affection”. Movendo-se à vontade entre géneros díspares (“gospel”, rock ou baladas FM), a voz de Joan Armatrading todos confere um toque pessoal, que infelizmente não chega para voos de maior altitude.
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Legenda:
. Imperdoável
* Mau Mau
** Vá Lá
*** Simpático
**** Aprovado
***** Único

Jimi Hendrix – “Cornerstones, 1967-1970”

Pop-Rock 27.02.1991 – REEDIÇÕES


Lenda Viva

JIMI HENDRIX
Cornerstones, 1967-1970
LP, MC e CD, Polydor, Ed. Polygram

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Hendrix parece que continua a fazer falta. Não cessam as reedições ou a descoberta de mais uma “take” abandonada na poeira de uma gaveta. “Cornerstones” limita-se a repescar da fase mais criativa do músico os temas que fizeram história: “Hey Joe”, “Purple Haze”, “All Along The Watchtower”, “Voodoo Chile (Slight Return)”, “Star Spangled Banner” ou “Room Full Of Mirrors”. Quem não tiver os álbuns originais não tem razões de queixa – a presente colectânea é de facto um “besto f” dos temas-chave do genial guitarrista.
Para quem não sabe, eis a história de cada um: “Hey Joe” foi gravada em 1966 pela Jimi Hendrix Experience da qual faziam parte o baixista Noel Redding e o baterista Mitch Mitchell. Dias antes de entrarem no estúdio tinham feito a primeira parte de um espectáculo de Johnny Halliday. O tema chegou ao quarto lugar nos tops da época. Outro clássico do mesmo período, “Purple Haze” evidencia experimentações electrónicas a que não é alheio o dedo de Roger Mayer, perito na matéria. “The Wind Cries Mary” foi o que restou de uma “jam session” de vinte minutos durante as sessões de “Purple Haze”. Bem trabalhado, deu para chegar ao nº 6 dos tops. “Foxy Lady” (do álbum “Are You Experienced?” completa o grupo de canções da primeira fase.
“Crosstown Traffic” tem a particularidade de Hendrix tocar piano e Dave Mason, dos Traffic, participar nos apoios vocais. Em “All Along The Watchtower” (um original de Bob Dylan), o mesmo Dave Mason toca guitarra acústica e Jimi ocupa-se do baixo. Outro dos grandes clássicos de Hendrix é “Voodoo Chile” (do duplo “Electric Ladyland”), editado em single após a morte do músico e única das suas canções que alcançou o primeiro lugar nas listas de vendas. Conta a lenda que depois de ter escutado o “playback” de “Have You Ever Been (To Electric Ladyland)”, Jimi Hendrix terá gritado: “Sei cantar! Sei Cantar!”
De “Star Spangled Banner” permanece na memória a imagem desolada de Hendrix à deriva entre os destroços do festival de Wight e o som convulsivo da guitarra, prenunciando o apocalipse próximo. Quando “Steppingstone” foi gravado, já Billy Cox tinha substituído Mitch Mitchell na bateria. O tema aparece no álbum póstumo “War Heroes”. Em “Room Full Of Mirrors” (já com a Bando f Gypsies), o músico toca “slide-guitar” com um anel. Steve Winwood e Chris Wood (mais dois Traffic) dão uma ajuda em “Ezy Rider”. Buddy Miles toca bateria. Completam a colectânea “Freedom”, “Drifting”, “In From The Storm” e “Angel”, representativos da fase derradeira (1970), todos incluídos no póstumo “Cry Of Love”.
Hendrix morreu mas a lenda continua bem viva, no fogo de outras cordas de guitarra. Jimi Hendrix – dos blues, do rock, da soul, do funk, do jazz, do psicadelismo, das baladas – tinha uma alma demasiado grande e demasiado sôfrega que queria beber toda a música do universo. Basta escutá-lo para se perceber que o conseguiu.
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Carmel – “The Collection, 1983 – 1990”

Pop-Rock / Quarta-Feira, 13.02.1991


CARMEL
The Collection, 1983 – 1990
LP e CD London, Distri. Polygram



Como o título indica, trata-se de um “best of” de canções gravadas originalmente no período compreendido entre essas datas, dispersa pela discografia de álbuns da cantora. A escolha recaiu nos temas mais imediatamente apelativos, sem que tal facto constitua um demérito grave. Sabe-se quais são as intenções de discos desta natureza. Carmel McCourt e os seus dois companheiros habituais (Gerry Darby, percussões e programações de ritmo e Jim Paris, guitarra, baixo) passeiam-se com todo o à vontade por sonoridades tão distintas como o calypso de “I Have Fallen in Love”, as sugestões “soul” que lhes são mais caras, de que são ilustrativas a versão de “It’s all in The Game” dos Four Tops. “Every little bit” e “You Can Have Him” (inspirado na versão de 1980 de Dionne Warwick) ou os sombreados “bluesy” do órgão Hammond, pontuados pelos sopros da “Sounds 18”, em “More more more”. A voz de Carmel faz o resto, numa colecção sem pretensões de raridade, mas capaz de satisfazer os amadores menos puristas.
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Legenda:
. Imperdoável
* Mau Mau
** Vá Lá
*** Simpático
**** Aprovado
***** Único