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Zion Train – “Secrets Of The Animal Kingdom in Dub”

Y 2|FEVEREIRO|2001
escolhas|discos


ZION TRAIN
Secrets of the Animal Kingdom in Dub
Universal Egg, distri. Sabotage
8|10



Coletivo inglês em ação desde 1990, os Zion Train cultivam o dub psicadélico com a atitude de cibernautas em busca da derradeira droga sintética que projete o holograma de Bob Marley no Cosmos. Já lhes chamaram os Grateful Dead da tecno, definição engraçada que dá uma boa ideia da forma como o quinteto combina as refrações dub em ligação direta com a tecno e o trance e em conjunção com as alterações da perceção proporcionadas pelas drogas psicotrópicas. Com cada um dos temas dedicado a um animal, “Secrets of the Animal Kingdom” é um palco virtual, uma selva de ilusões e um manjar para os ouvidos, culminando em “Manta ray” que alguém definiu como a dança minimalista, em estereofonia, de um programa de lavagem. Mais cosmopolitas, mas não menos interessantes, os The Tassilli Players gravaram para a mesma editora outro álbum conceptual de “dub” psicadélico, “An Atlas of World Dub” (8/10), desta feita uma panorâmica de diversas comunidades mundiais de dub, com produção dos Zion Train, onde estão patentes uma faceta progressiva e um “etno-industrial” reminiscente de Mark Stewart.



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Zion Train São Legais

15.06.2001
Zion Train São Legais

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Dub,House, Hip-Hop. Três formulas para dançar. Três dias, cada um com uma fórmula para dançar. Três nomes por dia. Chama-se LX Cool, o ciclo de dança montado pelas Festas de Lisboa. Destaque para os Zion Train, instituição do dub em Inglaterra, mas cujas operações de sabotagem se estendem pelo resto do mundo. Na mesma noite de dub, 27, actuam os portugueses Cool Hipnoise e Neil Frazer, mais conhecido por Mad Professor. O dia 28 está entregue aos portugueses Hipnótica, aos escoceses Aqua Bassino e ao finlandês Jori Hulkkonen, estes dois últimos pertencentes aos quadros da F Communications. Finalmente, a 29, o hip-hop desce à rua com os franceses Assassin e os portugueses Mind Da Gap e Dj Cruzfader. Todos os espectáculos terão lugar no Cais do Gás, os dois primeiros dias com início às 22h, o último a partir das 14h. Há espaço de sobra para dançar. Calor e ritmos de sobra para suar.
Os Zion Train prometem algo mais, mas é bom não esquecer que o consumo de marijuana é ilegal. Ao vivo, não são a mesma coisa que em estúdio. Improvisam sob as directivas do seu líder, DJ Perch (teclados, unidades de delay e mesa de mistura). Os outros músicos, Cod (teclados, melódica, harmónica, colheres), Tench (teclados, samples e guitarra), Hake (trompete), Forkbeard (trombone e teclados) e a vocalista Molara, sabem quais vão ser os temas, mas desconhecem os ritmos. A paleta de estilos contém reggae, dub, house, tecno e pop.
Mas quem são afinal os Zion Train? O seu novo álbum, “Secrets of the Animal Kingdom in Dub”, é um disco conceptual que liga alguns espécimes animais a um sound system de dub psicadélico. Soa como nenhum outro álbum de dub. Provoca alucinações. As linhas de baixo descem Às camadas geológicas mais profundas do planeta Terra. A electrónica endoidece.
Mas os Zion Train gravaram uma serpentina de deiscos, de 1991 até hoje, entre os quais “Passage to Indica”, “Siren”, “Homegrown Fantasy”, “Love Revolutionaires” e o também conceptual “Natural Wonders of the World”, viagem por vários locais e paisagens do globo, da Garganta do Diabo ao Kilimanjaro, da Amazónia ao Mar dos Sargaços, de Bora Bora ao Krakatoa. A paisagem da capa é uma planície de cannabis estendendo-se até perder de vista (aviso: o consumo de cannabis é ilegal).
De onde vêm, para onde vão? Vêm de uma organização denominada The Train Sound System, À qual pertencia DJ Perch. Em 1990 a organização passou a chamar-se Zion Train, inspirada numa canção com o mesmo nome de Bob Marley. Zion é um estado de espírito, dizem. E Zion Train a melhor maneira de lá chegar. As influências, além de Marley (que fumava Cannabis, embora em Portugal seja ilegal), recuperaram Jah Shaka-Zulu Warrior, Disciples, Iration Steppas, a Sun Ra Orchestra, The Art Ensemble of Chicago e as bandas latinas dos EUA e de Cuba.
Não professam qualquer religião ou ideologia política. Anarquistas, defendem a liberdade de expressão, a liberdade de associação e a liberdade do espírito. E a liberdade de fumar erva, mesmo sendo ilegal. Não são, portanto, políticos. Logo, o “mainstream” cataloga-os como “banda política”. Combatem o sistema corporativista da indústria musical, motivo pelo qual a dita indústria se recusa a editar os seus discos. Eles responderam com a criação da sua própria editora, “vocacionada para a edição de música contemporânea, sem quaisquer conotações comerciais”, a Universal Egg, com sede no País de Gales. Mesmo assim, o álbum “Homegrown Fantasy” vendeu para cima de 20 mil unidades, apesar de, na América, ter sido mal recebido (chamaram-lhe Homegrown Shit”, “merda caseira”). Uma das canções com o mesmo título dos Workimg Week, cantada por Tracey Thorn e Robert Wyatt.
Os Zion Train participaram na antologia “The Encyclopedia Psychedelica”, e remisturaram os New Model Army, The Ruts, Maxi Priest, Coil, Hawkwind, Gary Clail, Dub Syndicate e Ozric Tentacles. Criaram a sua rede de informação na revista “The Wobbler”, cujos assuntos vão do “sério” ao “ridículo”, e um clube multimédia privativo, onde é possível ouvir música avant-garde, tecno ou drum ‘n’ bass, ver filmes, experimentar novas tecnologias ou, simplesmente, não fazer nada. Por estas e por outras é que o consumo de cannabis é ilegal. A música dos Zion Train, não.

Zion Train, Cool Hipnoise, Mad Professor
Dia 27, Às 22h
Hipnótica, Aqua Bassino, Jori Hulkkonen
Dia 28, Às 22h
Mind Da Gap, Assassin, DJ Cruzfader
Dia 29, Às 14h
Lisboa, Cais do Gás. Entrada Livre.

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