Arquivo da Categoria: Electro

Nitzer Ebb – “Ebbhead”

Pop-Rock Quarta-Feira, 06.11.1991


NITZER EBB
Ebbhead
LP / CD, Mute, distri. Edisom



Música a músculo. Para os Nitzer Ebb, Douglas McCarthy e Bom Harris, cada disco é uma prova de força. E de poder. “Ebbhead” é tão poderoso e militarista quanto os anteriores “That Total Age”, “Belief” e “Showtime”, tendo sobre estes a vantagem de ser mais subtil. Subtileza que os afasta de vez da síndrome rítmica DAF que sempre os perseguiu (notória ainda em temas como “Time” e “Ascend”), impelindo-os para paragens bem mais variadas. Tão cruelmente dançável como os anteriores (“Family man” arrisca-se mesmo a intoxicar as discotecas), “Ebbhead” aposta, porém, numa maior complexidade dos arranjos e num registo vocal que, desta vez, se situa perto das contorções épicas de Jim Thirlwell (Foetus). Os computadores e as máquinas de ritmo tornaram-se mais delicadas. O discurso do poder permanece, saturado do veneno, martelado pela repetição de palavras de ordem e a exposição de uma ou outra atrocidade. Os Nitzer Ebb prosseguem a guerrilha. Exterminadores agora menos implacáveis. (7)

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Marc Almond – “Tenement Symphony”

Pop-Rock Quarta-Feira, 23.10.1991


MÁRC ALMOND
Tenement Symphony
LP / CD Some Bizarre, distri. Warner port.



A capa só por si vale o disco: uma glosa do grafismo da série barata “Classics For Pleasure”, onde Almond assume o “smoking” e a pose de batuta em punho de Simon Rattle (um dos maiores maestros ingleses da actualidade), mas com um ramo espinhado no lugar da dita batuta e um maço de notas turcas a saírem-lhe do punho, preparo rematado pelo adereço de uma flor de plástico a enfeitar um metrónomo. Truncagem tipicamente “camp” do visual pop da música clássica na idade de Pavarotti e Nigel Kennedy, complemento de um recheio pop de recorte sinfónico, que incluiu um extracto de “Trois Chansons de Bilitis” (Debussy). “Flirt” jocoso com a música clássica, mas também com os clássicos da música popular.
O zénite do álbum é sem dúvida a versão radical de “La Chanson de Jacky”, sátira em tom marcial ao binómio beleza / vacuidade da autoria de Jacques Brel, que Márc (o acento no “a” é outro pormenor da nova decoração) revisita em tintas eurodisco. O álbum assenta na combinação dessas variáveis: a pop electrónica (produto da associação de Dave Ball, ex-companheiro de Almond nos Soft Cell, com Richard Norris sob a sigla The Grid) e a tendência para o fausto sinfónico de Trevor Horn (o maestro da ZTT), reforçada pelos arranjos de cordas de Ann Dudley, dos Art Of Noise. “Desta confusão, declara o autor na contracapa, sonhei uma grande ilusão: a ‘Tenement Symphony’”, um álbum onde as convenções e conveniências da actual ligação da pop à música clássica não sofrem uma subversão terrorista, mas o género de revisão agridoce, misto de romantismo e crueldade extremados que transformam a sua seriedade pequeno burguesa em delírio faustoso. (8)

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The Orb – “Adventures Beyond The Ultraworld”

Pop-Rock Quarta-Feira, 18.09.1991


THE ORB
Adventures Beyond The Ultraworld
2xLP / CD, Big Life, distri. Polygram



Alex Patterson é o cérebro alucinado do projecto The Orb, expoente ambíguo da corrente “ambiente house”, aqui em perfeito desvario, numa colagem insana que projecta o ruralismo espacial dos KLF para as pistas de dança. Contando com a colaboração de músicos tão afastados como ex-membros dos Killing Joke e dos Berlin, ou o antigo guitarrista dos Gong, Steve Hillage, “Adventures…” flutua num universo de imponderabilidade, assombrado por fragmentos de música e de história, conceitos aqui despojados de sentido. Títulos como “Supernova at the end of the universe” remetem de imediato para os Pink Floyd (a capa retoma a fotografia de “Animals”), e para planâncias subitamente na ordem do dia: “Star 6 & 789” reinventa a música dos Neu; “A huge ever growing pusating brain, etc..” dir-se-ia uma samplagem, nota a nota, dos sequenciadores dos Tangerine Dream de “Phaedra” e “Rubycon”; “Spanish castles in space” deve tudo a Brian Eno (com o qual Alex, um auditor atento da série “Obscure”, trabalhará num projecto futuro). Arthur Russell e as suas reverberações fantasmáticas, a On-U Sound, os “astro-reggae” tribal, a pop electrónica dos New Musik e o canto gregoriano à maneira dos Enigma são outras peças detectáveis num “puzzle” destibado a povoar os sonhos de astronautas à deriva no espaço. No espaço tudo é permitido. Tudo é ilusão.
***

Legenda:
. Imperdoável
* Mau Mau
** Vá Lá
*** Simpático
**** Aprovado
***** Único

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