Arquivo da Categoria: MPP

Amélia Muge – “III Encontros Musicais Da Tradição Europeia – Amélia Sozinha Em Algés”

Cultura >> Domingo, 19.07.1992

III Encontros Musicais Da Tradição Europeia
Amélia Sozinha Em Algés

AMÉLIA MUGE foi o único artista participante no último concerto dos III Encontros Musicais da Tradição Europeia que na sexta-feira terminaram em Algés, no Parque dos Anjos. Jean Marie Carlotti, programado para este dia, cancelou à última hora a sua actuação, por motivos relacionados com o atraso de aviões, à semelhança do que já acontecera antes com os Capercaillie. O concerto do músico occitano foi transferido para o dia 3 de Agosto, à mesma hora e no mesmo local.
Acompanhada por José Martins, nos teclados e percussões, Catarina Anacleto no violoncelo e Paulo Jorge no acordeão, Amélia Muge apresentou canções do seu álbum “Mugica”, com particular incidência, como seria de esperar, nos temas tradicionais. Da Beira, do Alentejo ou uma canção de embalar moçambicana.
A novidade foi “Cantiga de Rosalia”, um original sobre texto da poetisa galega Rosalia de Castro, interpretado por Amélia Muge com a vibração e a sensibilidade que se lhe conhecem.
Os III Encontros Musicais da Tradição Musical Europeia recomeçam no dia 23, em Guimarães, a 28 na Guarda e a 1 de Agosto em Évora. O programa completo pode ser consultado na edição de 8 de Julho do suplemento Pop Rock deste jornal.

Share and Enjoy !

0Shares
0 0 0

Quinta do Bill + Kdadalak + Ceolbeg – “Festival De Música Popular, Na Amadora – ‘Folk’ Fora De Horas” (concertos/ V Festival de Música Popular)

Cultura >> Segunda-Feira, 29.06.1992


Festival De Música Popular, Na Amadora
“Folk” Fora De Horas


No sábado, na Amadora, a música durou até às tantas. Só que quando os sons se estendem pela noite fora devido não aos calores da festa mas a atrasos de programação, não há paciência nem escoceses que resistam.

Aconteceu assim na sala D. João V, no V Festival de Música Popular realizado na Amadora, como já acontecera com Mari Boine Persen, na semana passada, em Belém. O adepto da música tradicional tem de esperar até depois da meia-noite. E é se quiser…
Quase 45 minutos depois da hora prevista teve início a função, com os Quinta do Bill que ainda por cima deram mostras de não querer abandonar o palco. Ou seja, o Bill fez da sala a sua quinta e quase foi preciso alguém ir lá atrás desligar o quadro para dar aos seguintes a oportunidade de tocarem uma musicazita. Os Quinta do Bill, para além do amor possessivo ao palco, mostraram um vocalista entusiasta e razoável tocador de flauta de bisel que tentou por todos os meios pôr o público a cantar, bons instrumentistas e uma pop cruzada de instrumentais de inspiração folk. Tivessem tocado menos tempo e toda a gente teria ficado satisfeita. Assim, só faltou serem empurrados.
Seguiu-se o grupo de emigrantes timorenses em Portugal, Kdadalak, em trajes tradicionais, que leram textos de luta e solidariedade aos seus irmãos “maubere”. Toda a gente apoiou, claro, é fácil apoiar, e apetece citar António Vitorino de Almeida: “Mais importante para vocês não é que nós estejamos convosco – mas sim que os indonésios não estejam. Para já, porém, a nossa solidariedade, lamentavelmente teórica”. A música, insípida, acabou por ser um pormenor de somenos importância.
O tempo escasseava entretanto e a organização receava a debandada geral antes da actuação do grupo principal, os escoceses Ceolbeg. A partir desta altura optou-se pelo sistema em “roulement”: Amélia Muge interpretou a primeira canção, sobre Timor, com os Kdadalak ainda em palco. Recordou José Afonso, emocionou-se e cantou como só ela sabe, canções do álbum estreia “Múgica”. Na última, “Quem à janela”, juntou-se-lhe José Mário Branco e os dois, debruçados sobre o passado e o futuro, proporcionaram um dos poucos momentos verdadeiramente tocantes da noite. José Mário Branco prosseguiu a solo, com “Correspondências” em forma de canção e convidados de nomeada: Paulo Curado, na flauta, José Peixoto, na guitarra e Yuri Daniel no baixo, sob o olhar atento do “maestro” e teclista António José Martins. Antes foram as cerimónias da praxe e a entrega ao cantor do prémio José Afonso, pelo álbum “Correspondências”.
Quando finalmente os Ceolbeg começaram a tocar passavam vinte minutos da uma da manhã e metade da sala já desistira de se entregar aos possíveis entusiasmos folk suscitados pela música dos escoceses. A maior surpresa na apresentação desta banda aconteceu com a presença da harpista Patsy Seddon (do duo Sileas, com Mary McMaster, presente nos Encontros da Tradição Europeia do ano passado) que à última e em boa hora subsituiu a prevista Katie Harrigan na formação dos Ceolbeg: De provocante mini-saia negra que lhe moldava o corpo já com alguma tendência para alargar dos lados, Patsy revelou-se a melhor intérprete em palco, mesmo se o som apenas nos temas mais calmos – como “Lord Galloways Lamentation” (composto pelo lendário harpista cego Turlough O’ Carolan) – permitisse ouvir com nitidez as subtilezas de cristal do instrumento. Quase à altura de Patsy estiveram o gaiteiro Gary West e o novo percussionista Jim Walker. O primeiro poderoso de fôlego e ágil no ponteiro, magnífico na suite instrumental “The Coupit Yowe set” ou no “encore” final, emq eu as Highland pipes” positivamente dispararam, arrancando para os prazeres da dança alguns jovens desejosos de dar ao pé, o segundo subtil e imaginativo na bateria e percussões. Os Ceolbeg cumpriram sem deslumbrar. A muitos terão feito apetecer ouvir o seu muito bom disco “Seeds to the Wind”.
Às 2h30 estava tudo consumado. Qualquer dia o melhor é levantarmo-nos cedo, aí por volta das seis da manhã, de maneira a podermos assistir, fresquinhos ao final dos espectáculos da noite anterior. Já faltou mais.

Share and Enjoy !

0Shares
0 0 0

José Cid E Amigos – “Camões, As Descobertas… E Nós”

Pop Rock >> Quarta-Feira, 24.06.1992


JOSÉ CID E AMIGOS
Camões, As Descobertas… E Nós
LP / MC / CD Mercury, ed. Polygram



Camões, vá que não vá! As descobertas… por que não? Todos se aproveitam delas. Agora… nós? Calma aí! O povo é sereno mas não aguenta tudo. Música é história. Camões é cultura. Cid é foleiro. Os Descobrimentos são pau para toda a obra e o disco é um bico de obra. Os amigos, percebe-se, aparecem porque a editora deve ter feito sinal. António Pinto Basto, Rita Guerra, Jorge Palma, Paulo Bragança, João Paulo e A Praia Lusitana (grande nome, grande banda, grande patriotismo). Mas vós, Carlos do Carmo gentilmente cedido pela UPAV, por que vos traístes? E vós, Pedro Caldeira Cabral, gentilmente cedido pela Valentim de Carvalho, porque cedestes? Já para não falar de vós, Jorge Palma, que vos abandalhastes! Quanto a Cid, tem como desculpa o ser quase tão bom poeta como o autor dos lusíadas. Qual deles escreveu os versos imortais: “Estamos a viver / uma nova epopeia / que nos vai devolver / o orgulho em nós próprios / os heróis aqui estão / avançaremos gente / no futuro em questão”? (1)

Share and Enjoy !

0Shares
0 0 0