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Chieftains (The) – “Festa Do Avante A 4, 5 E 6 De Setembro – Chieftains Na Quinta Da Atalaia”

Cultura >> Terça-Feira, 21.07.1992


Festa Do Avante A 4, 5 E 6 De Setembro
Chieftains Na Quinta Da Atalaia


A BANDA “folk” The Chieftains, uma das maiores bandas de sempre deste género musical, vai estar presente na XVI edição da Festa do Avante que se realiza na Quinta da Atalaia, na Amora, Seixal, a 4, 5 e 6 de Setembro.
Os Chieftains são os representantes por excelência da música tradicional irlandesa no mundo. Nascido no início dos anos 60, o grupo liderado por Paddy Moloney tem mantido ao longo dos anos uma formação mais ou menos estável na qual pontificam executantes notáveis como próprio Moloney, nas “uillean pipes” e “tin whistle”, Matt Molloy, na flauta, Derek Bell, na harpa, Seán Keane e Martin Fay, no violino e Kevin Conneff no “bodhran”.
Detentores de uma vasta discografia de onde se destacam os essenciais “The Chieftains 5”, “Boil the Breakfast Early”, “The Chieftains 10”, “Celebration” (com Van Morrison e os Milladoiro) e “Celtic Wedding” (fabulosa incursão na música da Bretanha), os Chieftains editaram recentemente “The Bells of Dublin” que conta com a presença de convidados como Marianne Faithfull, Rickie Lee Jones, Nancy Griffith, Jackson Browne e Elvis Costello, entre outros.
O álbum será editado em breve no nosso país pela BMG.
No campo do jazz está também assegurada a presença na Festa do Avante do núcleo de músicos ligados aos Jazz Messengers: o saxofonista Benny Golson, o trombonista Curtis Fuller, o trompetista Eddie Henderson e um baterista aina por definir, aos quais se juntarão, na primeira noite da festa, a orquestra de jazz do Hot Clube de Portugal, e músicos portugueses convidados, numa “jam session” prevista para a noite seguinte.

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Amélia Muge – “III Encontros Musicais Da Tradição Europeia – Amélia Sozinha Em Algés”

Cultura >> Domingo, 19.07.1992

III Encontros Musicais Da Tradição Europeia
Amélia Sozinha Em Algés

AMÉLIA MUGE foi o único artista participante no último concerto dos III Encontros Musicais da Tradição Europeia que na sexta-feira terminaram em Algés, no Parque dos Anjos. Jean Marie Carlotti, programado para este dia, cancelou à última hora a sua actuação, por motivos relacionados com o atraso de aviões, à semelhança do que já acontecera antes com os Capercaillie. O concerto do músico occitano foi transferido para o dia 3 de Agosto, à mesma hora e no mesmo local.
Acompanhada por José Martins, nos teclados e percussões, Catarina Anacleto no violoncelo e Paulo Jorge no acordeão, Amélia Muge apresentou canções do seu álbum “Mugica”, com particular incidência, como seria de esperar, nos temas tradicionais. Da Beira, do Alentejo ou uma canção de embalar moçambicana.
A novidade foi “Cantiga de Rosalia”, um original sobre texto da poetisa galega Rosalia de Castro, interpretado por Amélia Muge com a vibração e a sensibilidade que se lhe conhecem.
Os III Encontros Musicais da Tradição Musical Europeia recomeçam no dia 23, em Guimarães, a 28 na Guarda e a 1 de Agosto em Évora. O programa completo pode ser consultado na edição de 8 de Julho do suplemento Pop Rock deste jornal.

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Elenna Ledda + Muxicas + Capercaillie – “III Encontros Musicais Da Tradição Europeia Prosseguem Em Algés – Sardenha Na Brasa” (concertos / world)

Cultura >> Sexta-Feira, 17.07.1992


III Encontros Musicais Da Tradição Europeia Prosseguem Em Algés
Sardenha Na Brasa



MELHORARAM as condições atmosféricas nos III Encontros Musicais da Tradição Europeia. Mesmo assim choveu, terça-feira à noite, no Parque dos Anjos, em Algés. O único cataclismo ocorreu com o som, que praticamente destruiu a actuação dos Muxicas. Só na quarta-feira os amantes de música folk tiveram direito a um clima favorável. Sem inundações, furacões, terramotos e “feedbacks”.
Elenna Ledda veio da Sardenha e apresentou até agora a melhor música do festival. Senhora de uma voz e de uma presença em palco portentosas, Elenna vibrou no ar liturgias de fogo, em espiral, a solo ou em polifonias vocais acompanhada pelos restantes músicos da banda Suonofficina. Ronda pelo lado de dentro do sol, das sombras e das transparências mediterrânicas. Da Sardenha, cuja música evoca a da Turquia e da Grécia. A África abrasiva. E o mar. Na dança e no êxtase que permitem conversar igualmente com os deuses e os demónios. Como uma dervixe. Elena Ledda, os Suonofficina e a sua cerimónia mágica venceram os elementos. A Natureza vingar-se-ia a seguir, servindo-se das manápulas de um “técnico de som” com a sensibilidade de um tijolo.
As sete pessoas, três “gaitas”, uma sanfona, quatro pandeiretas, mais flautas, adufes, bombos e tambores variados dos galegos Muxicas foram suficientes para descontrolar o homem da técnica que ora subia, descia ou distorcia o som, de forma aleatória, segundo o esquema “vamos lá rodar este botão para ver o que é que dá”. Deu bota. Os Muxicas sentiram que estavam a tocar sobre o arame e até a energia (evidente em álbuns como “Desafinaturum” ou o novo “Escoitando Medrala Herba”) com que disfarçam certas limitações como executantes, se foi aos poucos dispersando. Do naufrágio, patente sobretudo na estridência da voz e nas fífias dadas na sanfona por Maria Xosé, salvaram-se as erupções das percussões, a toada irresistível das “gaitas” em uníssono e as intervenções do castiço Manolo Rin-Rin. Entre “passacorredoiras”, “pandeiretadas” e “muineiras” que nunca chegaram a entusiasmar.
Quarta-feira foi preenchida pela actuação dos Capercaillie, banda escocesa que hoje faz o que antes fizeram os Fairport Convention e Steeleye Span em Inglaterra, ou os Five Hand Reel na Irlanda: juntar os sons tradicionais a uma batida Rock. No seu campo, e passada a ortodoxia dos primeiros álbuns, os Capercaillie são imbatíveis. A electricidade do baixo e da guitarra casam bem com a voz de Karen Matheson, entre as baladas em gaélico que muito em breve levarão a banda até à companhia dos Clannad, e instrumentais endiabrados que revelaram três fora de série: Donald Shaw, no acordeão, Marc Duff, no “tin whistle” e Charlie McKerron, no violino. Os Capercaillie bem tentaram pôr toda agente a dançar, com apelos de “go crazy!” enquanto espicaçavam: “the portuguese are a very lively people”. É verdade, somos livelinos e vivaços. Não gostamos é de ser mandados. Claro está que ninguém moveu um pé. Na véspera um velhote dançou com um cão. No dia seguinte o canino deu-lhe tampa.
Fica a sugestão final para que os Encontros do próximo ano sejam com entradas pagas. Para evitar a presença de alguns indesejáveis como aquele grupo de jovens que deu gritos, “acompanhou” à guitarra os músicos e incomodou toda agente. Nada contra os jovens, antes pelo contrário. Bastava amordaça-los e arrancar-lhes as guitarras. Amanhã os Encontros fecham as portas em Algés. Com Amélia Muge e Jean Marie Carlotti, da Occitânia. Depois é ir até Évora, Guarda ou Guimarães, para ouvir Ad Vielle Que Pourra, Musica Nostra, La Musgana, Raízes e Vasmalom.

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